segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Espetáculo "As ves da Noite"

A peça As Aves da Noite será apresentada na Casa da Ribeira (Natal-RN), nos dias:
16 e 22 de novembro
20 e 21 de dezembro
às 20h.

Elenco:
Rebeka Carozza, Rodrigo Icsan e Rummenigge Medeiros.
Direção e produção: Alex Beigui.


Texto de Alex Beigui:
“Eles são como As Aves da Noite que se feriram nas duas asas”
As Aves da Noite, de Hilda Hilst, faz parte do projeto de pesquisa “Por que Ver os Clássicos” que teve seu início em 2010 com a estreia de Exilados de James Joyce (Bloomsday-2010). Ao longo dos últimos cinco anos, venho pesquisando as relações entre o teatro e a literatura bem como seus desdobramentos na cena contemporânea. O treinamento com atores que realizo, a partir das técnicas e metodologia de criação do Teatro da Androginia, corresponde à investigação sobre os corpos e a sexualidade do intérprete em situação espetacular. O resultado dessas pesquisas e experiências vem sendo divulgado em diferentes periódicos de circulação nacional e apresentado ao longo dos anos em montagens que vão desde a Antígona, de Sófocles (BA); Eu, Pierre Rivière, de Michel Foucault (SP); a Psicose 4:48 de Sarah Kane.
Meu trabalho de diretor privilegia a palavra literária como fonte de ritualização e fisicalização através da qual nascem o “gesto” e a “presença” no corpo do ator. O verbo e a carne, a ação e o pensamento, o feminino e o masculino, a dor e o prazer, a tragédia e a comédia, a palavra e o corpo, Dioniso e Apolo, o dentro e o fora, a pulsão de vida e a pulsão de morte deixam de configurar dicotomias para tornarem-se campo de equivalências. Gosto das equivalências que suportam diferenças.
Não escolhi o texto hilstiano, ele me escolheu entre tantos outros que circula o mosaico de vozes que escutamos. Acredito que ele me escolheu porque vivo um momento de extrema turbulência sexual, amorosa, familiar, geográfica. Talvez procure a Casa de Sol de Hilda em um mundo cuja imprevisibilidade do claro e do escuro ainda me incomoda. As Aves da Noite é um grito silencioso como aqueles dirigidos à personagem Maximiliam: “Sentir nada ou Sentir tudo no corpo para além do envoltório da vontade, pois um dia as palavras vão virar matéria”. Confesso, aqui, elas já viraram matéria, expondo a evidência de nossa indignação diante da certeza que toda forma de subjugação do corpo e censura da palavra é uma fratura no corpo/discurso da humanidade.
Alex Beigui

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