sábado, 27 de novembro de 2010

I FÓRUM EM ARTES&DESIGN da UFRN



27, 28, 29 e 30 de novembro de 2010
UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
CCHLA – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes
DEART – Departamento de Artes
AV&D – Artes Visuais & Design


Estamos, os professores dos cursos de Artes Visuais e de Design do Departamento de Artes da UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, organizando o “I Fórum em Artes e Design na UFRN” com a intenção de  fomentar as discussões sobre a investigação em Artes Visuais e em Design.
Envolve professores, alunos e palestrantes convidados com o intuito de criar um lugar de conversa e reflexão sobre as práticas de pesquisa, tanto em Artes Visuais, quanto em Design. Foram pensados os eixos temáticos: Poéticas Sensoriais, Intermediação humano-ambiente e Estética, cultura e mediações.
Poéticas sensoriais
Neste campo de pesquisa será discutido o processo de significação, de criação artística e de geração de obras de  Artes Visuais em um sentido amplo e multisensorial. Serão também  observadas as poéticas interdisciplinares relacionadas aos meios tecnológicos, propondo uma discussão sobre a sintaxe das linguagens visuais contemporâneas através da produção da arte aliada à elaboração teórica sobre o objeto artístico. Intermediação homem-ambiente

Pretende-se observar, por meio desta linha conceitual, as interações entre humanos e entre os humanos e os artefatos, os processos, os espaços construídos e habitados, os serviços e seus sistemas. Propõem-se considerar, tanto as questões metodológicas ligadas ao projeto em arquitetura e urbanismo, ao design e a outras manifestações interativas, quanto às questões ligadas aos efeitos da interação sobre a percepção, a cognição e o comportamento das pessoas. Estética, cultura e mediação

Por este viés conceitual pretende-se discutir os processos que favorecem a interlocução entre o sujeito que se apropria da Arte, da Cultura e do Design, com o próprio modo de ordenar e dar sentido a esta experiência, seja pelo ponto de vista de um mediador, seja pelo campo de estudos culturais. A interlocução ora considerada é aquela feita por meio do julgamento e da percepção de estruturas, com direção e regras próprias e que estão presentes nas artes, nos artefatos, no comportamento, nos modos e maneiras criados pela vivência habitual do ser humano.
Pesquisa em Artes e Design

Os fóruns criam um lugar de debate público. Neles normalmente são levantadas questões, opiniões críticas, observações e análises acerca de um assunto que poderão ser comentadas, refutadas e/ou modificadas pelos participantes. Alem disso, quem se interessar, poderá acrescentar outras intervenções ou apresentar novas contribuições à temática após ler o conteúdo tratado no Fórum. É com este espírito que desejamos iniciar uma discussão de caráter formativo em favor da pesquisa em Artes&Design. Cada investigador, pelo seu próprio ponto de vista, terá oportunidade de gerar um espaço de discussão acerca e ao redor de sua área de pesquisa.
Palestrantes:
Lorenzo Mammì
Palestra: A Autonomia da Arte
Renata Camargo Sá
Palestra: Estética e Poética
Caio Adorno Vassão
Palestra: Autonomia Epistemológica do Design,
Design da Interação e Complexidade
Miriam Celeste F. Dias Martins
Palestra: Pesquisa em mediações
Claudia Rocha Mourthé
Palestra: O Gosto Estético e a Diversidade Cultural: levando em consideração o racional e o emocional do indivíduo
Everardo Ramos
Palestra: Introdução à Pesquisa em Cultura e Arte Popular
Eventos culturais
Exposição – 27/11 às 19h
Deambulações, devires e deslocações
Curadoria: Maria do Mar Vazquez y Manzano
Cordel – 27/11 às 20h
Poetas: Abaeté do Cordel e Juarez Araújo
Xilógrafo: Erick Lima
As Cores de Frida – 30/11 às 17h30
Projeto cores. Espetáculo

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Projeto Dimensão Extra "Quadrinhos"

Convidamos a todos para participar do Projeto Dimensão Extra "Quadrinhos" que acontecerá no dia  29 de novembro às 17h30, no Auditório do Campus Avançado do IFRN, av. Rio Branco, Natal-RN. A palestra será proferida pelo Professor Edgar Franco (UFG) e tem como tema: "Processos Criativos de Histórias em Quadrinhos Poético-Filosóficas: Uma experiência Autoral".

Segue abaixo o currículo de Edgar Franco.

Edgar Franco é artista multimídia, mestre em multimeios pela Unicamp, doutor em artes pela USP e docente do programa de mestrado em Cultura Visual da UFG. Sua pesquisa de doutorado, Perspectivas Pós-Humanas nas Ciberartes, foi premiada no programa Rumos 2003 do Centro Itaú Cultural São Paulo. É autor dos livros HQtrônicas (Annablume/Fapesp, 2008) e Histórias em Quadrinhos e Arquitetura (Marca de Fantasia, 2004). Como ilustrador e quadrinhista possui dezenas de páginas publicadas em revistas do Brasil e exterior. Em 2009 ganhou o Troféu Bigorna, premiação concedida aos melhores das histórias em quadrinhos brasileiras. O trabalho de Franco como artista multimídia envolve também obras criadas para suportes hipermidiáticos, entre elas as HQtrônicas Ariadne e o Labirinto Pós-HumanoNeoMaso Prometeu - menção honrosa no 13º Videobrasil (Sesc Pompéia/2001),  e o site de web arte e vida artificial O Mito Ômega. Também é mentor do projeto musical performático cíbrido Posthuman Tantra

(recebido por e-mail)

Lançamento de "Para ler Gaston Bachelard"

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Especialização em Arteterapia

 
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ARTETERAPIA E EDUCAÇÃO DO SER
   REALIZAÇÃO: BASE DE ECOPEDAGOGIA, EDUCAÇÃO, ARTETERAPIA, SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA
     Departamento de Educação- Centro de Ciências Sociais Aplicadas-         
                      Universidade Federal do Rio Grande do Norte
                                        Natal-RN


PÚBLICO ALVO
Profissionais em geral, graduados em todas as áreas do conhecimento, profissionais de todos os níveis de ensino, Educadores Artísticos, Pedagogos, Psicólogos, Assistentes Sociais, Médicos, Profissionais da Saúde em geral, etc.


REQUISITOS
Apresentar diploma de Graduação;
Curriculum Vitae;
Xerox de RG e CPF;
2 Fotos 3x4;
Formulário preenchido e comprovante de pagamento de inscrição;
Carta de intenção: declarando seu interesse na área.
 
Regime de Funcionamento: 18 Módulos (2 encontros por mês)
Taxa de inscrição: R$ 60,00


Investimento: R$ 250,00
Carga Horária: 350 h + estágios (120 h) + supervisão (60 h)
Número de Vagas: 60
RESERVAS E INSCRIÇÕES
 
Através dos telefones: (84) 3215-3519 – Secretaria do DEPED ou pelo e-mail : arteterapiaufrn@hotmail.com 


ou, ainda, pelos tel. 3342-2463 e 9198-8044
Período de Inscrição: 25/10/2010 a 15/12/2010

Período de Seleção: 29/11/2010 a 19/12/2010
Processo Seletivo: exame dos documentos solicitados e entrevistas, se julgadas necessárias.

Prazo de início: Fevereiro de 2011

Profª Nísia Floresta lança dois livros




A profª Nísia Floresta Brasileira Augusta de Paula e Sousa (Departamento de Educação-Universidade Federal do Rio Grande do Norte) convida a todos para o lançamento de dois livros de sua autoria:
"EDUCAÇÃO ECOLÓGICA: UMA NOVA CONSCIÊNCIA NA PÓS-MODERNIDADE"
e
"NARRATIVAS PEDAGÓGICAS DE INCLUSÃO SOCIAL COM ARTE-EDUCAÇÃO".
 
Dia:  02 de dezembro, quinta-feira. 
Local: Livraria do Centro de Convivência/ Campus Universitário-UFRN-NATAL-RN.
Hora: 10h.

A professora Nísia acaba de fazer pós-doutorado no Canadá e, como se percebe pelos títulos dos livros, interessa-se por assuntos de grande importância para a educação no tempo em que vivemos. Vale lembrar que ela já coordenou um bem sucedido curso de Especialização em Arteterapia e coordenará o segundo, a ter início após o carnaval.
Os interessados já podem entrar em contato para efeito de reserva de vaga, pois são apenas 40.

domingo, 21 de novembro de 2010

Bolsa "Iberê Camargo"

Criada em 2001 com o objetivo de fomentar a produção artística contemporânea no Brasil, a Bolsa Iberê Camargo está comemorando uma década de existência. Para marcar a data, a Fundação lança hoje o edital 2010, junto da abertura da exposição Convivências – dez anos da Bolsa Iberê Camargo, que reúne todos os artistas contemplados até agora pelo programa.

Nesta décima edição, a iniciativa vai levar um artista para uma residência no Bronx Museum of Arts
, em Nova York, nos Estados Unidos, e outro para a Universidad Torcuato di Tella, em Buenos Aires, na Argentina. No ato de inscrição, os projetos já deverão ser pensados para a instituição escolhida.

Além disso, como nas últimas edições, serão selecionados dez artistas que receberão destaque na Revista Digital do site da Fundação Iberê Camargo e um artista que participará do Programa Artista Convidado do Ateliê de Gravura, em Porto Alegre.

Podem se inscrever artistas que tenham pelo menos quatro anos de produção sistemática em arte e participação comprovada em, no mínimo, três exposições individuais e/ou coletivas. A ideia é incentivar artistas em processo de formação e possibilitar o intercâmbio de ideias, vivências e propostas realizadas dentro e fora do Brasil.

Para participar, basta clicar aqui e ler com atenção o regulamento. As inscrições estão abertas de 11 de novembro de 2010 a 7 de fevereiro de 2011. Participe!

7ª Bienal da UNE: Abertas inscrições de trabalhos para mostra científica




Inscrições até 30 de novembro

Estão abertas as inscrições de trabalho científico e artístico para a 7ª Bienal da UNE, que ocorrerá entre os dias 18 e 23 de janeiro de 2011, no Rio de Janeiro, e reunirá estudantes do Brasil e da América Latina. O término do período de inscrição é dia 30 de novembro.

Eleonora Rigotti, coordenadora de áreas da Bienal, afirma que é importante a participação dos pós-graduandos porque, ao reunir no evento trabalhos científicos que não necessariamente estão na academia, como trabalhos de não-estudantes que desenvolvem projetos de pesquisa ou extensão, surge a oportunidade de diálogo entre diferentes áreas, permitindo ao pós-graduando "agregar informação e conhecimento para pesquisa que está em curso". "O evento não é só de arte e cultura, mas também de ciência", completa Eleonora.

Já Fellipe Redó, diretor de cultura da UNE e coordenador geral do evento, conta que a bienal "é um espaço de dar visibilidade a essa produção jovem e acadêmica que está ocorrendo nas universidades, de possibilitar o diálogo e interação com outros trabalhos acadêmicos, e com isso buscar uma ciência e tecnologia mais avançada para o nosso país e nosso povo".

Os trabalhos podem ser inscritos nas áreas de Artes Integradas, Música, Artes Cênicas, Artes Visuais, Audiovisual, Literatura, C&T, Mostra CUCA e Atividades Autogestionadas.

Em relação aos trabalhos de Ciência e Tecnologia, serão selecionados para mostra no máximo 200 propostas na modalidade oral e 50 pôsteres. Os trabalhos orais serão apresentados em grupos multidiscipinares e cada autor terá 20 minutos para sua explanação. É obrigatório que os próprios autores apresentem seus trabalhos.

O link para inscrição é:
https://spreadsheets.google.com/viewform?hl=pt_BR&formkey=dDhXeTI1R2p6bUkwMGVRaXBucnpidEE6MA#gid=0
(Assessoria de Comunicação da UNE)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Museu Câmara Cascudo comemora seus 50 anos

No dia 24 de novembro próximo, quarta-feira, o Museu Câmara Cascudo-MCC comemora seus 50 anos.
Às 10 h: hasteamento de bandeiras ao som da Banda de Música da Polícia Militar-RN, lançamento do Selo Comemorativo e abertura da Exposição 50 Anos.
Às 19:30h, solenidade comemorativa.
O MCC está sob a direção da professora e pesquisadora Sônia Maria de Oliveira Othon.

Projeto 10 Dimensões em João Pessoa-PB

Projeto 10 Dimensões - DEZEMBRO: em JOÃO PESSOA-PB,  nos dias 02 e 03/12, Dimensão das Redes, com os professores Edgar Franco (UFG) e Gilberto Prado (USP)

5ª Amostra de Cinema e Direitos Humano da América Latina

Natal recebe a 5ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos da América Latina, com excelentes filmes nacionais e internacionais.
De 18 a 25 de novembro de 2010, no Teatro de Cultura Popular, com entrada gratuita.
Confira a programação:

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

FESTIVAL LITERÁRIO DE PIPA-FLIPIPA 2010


Veja programação aqui: http://flipipa2010.blogspot.com/

A praia da Pipa estará movimentada como nunca.

Vamos viver todas essas ondas literárias!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Resposta a Mayara Petruso, jovem paulista estudante de direito

Esclarecimento: o texto abaixo é de autoria de Nilvanete Ferreira da Costa, cujo nome é muito parecido com o meu; sou sua irmã e responsável pelas postagens deste blog. Vai publicado aqui porque, pela extensão, não pode ser publicado no Twitter nem no Facebook, onde Mayara Petruso deixou provas (apagou, depois das reações na net) da pobreza de suas ideias a respeito dos nordestinos. Sabemos todos o que o etnocentrismo provocou na II Guerra.

http://www.revistaforum.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/11/mayara-21.jpg

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"Resposta à jovem paulista estudante de direito, Mayara Petruso, ou simplesmente “May”
As suas postagens no Twitter (“Nordestino não é gente, faça um favor a Sp, mate um nordestino afogado!”) e no Facebook  ("AFUNDA BRASIL. Deem direito de voto pros nordestinos e afundem o país de quem trabalhava pra sustentar os vagabundos que fazem filho pra ganhar o bolsa 171”), em reação à eleição da Dilma, a par de revelar desconhecimento dos dados da eleição (já que, expurgados todos os votos do Nordeste, Dilma ainda se elegeria com uma diferença de mais de um milhão de votos) assustam e produzem emoções que vão da perplexidade à indignação.
A perplexidade inicial se deu em razão de tão desrespeitosas e preconceituosas palavras partirem de uma “jovem estudante de direito”. Em primeiro lugar, porque o jovem sempre é promessa do novo; em segundo, porque aos atuais estudantes de direito se reservam os postos de operadores do direito, de advogados e, mais que isso, na composição do poder Judiciário, cujas cortes superiores têm papel fundamental na distribuição da justiça e na discussão de questões de profundo impacto na vida republicana. Aliás, “May”, parece que você esqueceu rapidamente – ou simplesmente não aprendeu, não conheço o seu desempenho acadêmico -  as balizas dadas pela Constituição da República Federativa do Brasil. Estão lá, entre os objetivos findamentais da República, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Está lá também, no art. 5º, que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer naturezaPoderia ir muito além, mas deixo por sua conta (re)visitar a nossa Carta Maior.
Quanto à indignação... bem, você se refere aos nordestinos como “vagabundos que fazem filhos para ganhar o bolsa 171”!  
Menina, você não sabe do que está falando...
Sou nordestina. Nasci numa minúscula cidade no interior da Paraíba, dessas tantas esquecidas pelas políticas públicas. Contava a cidade com não muito mais que uma igreja, uma biblioteca pública e um grupo escolar, que oferecia ensino até a 4ª série do primeiro grau. Meus pais tinham um pequeno sítio nas cercanias da cidade e uma pequena mercearia, dessas que vendem “de um tudo”, desde o feijão e a farinha até o fumo de rolo, passando pelos tecidos de chita colorida até o sabonete e a pomada minâncora. Minha mãe, que tocava a mercearia, mantinha uma caderneta onde anotava os “fiados”, as compras que os moradores da região faziam para pagar Deus-sabe-quando, ou seja, quando depois da safra (se safra houvesse) vendessem o produto.
Quem viveu naquelas terras ressequidas tem a dimensão exata do que quis dizer Euclides da Cunha quando escreveu que o sertanejo é “antes de tudo um forte”. Não se trata de mera figura de retórica. Nas áreas rurais, historicamente menos assistidas, sobrevivendo a uma terra inóspita, com escassos recursos, alimentando-se muitas vezes de farinha e rapadura – e, quando isso faltava, de palma, calango e do mais que minimamente pudesse ser convertido em refeição -  o sertanejo aprendeu a tirar forças de seus instintos ancestrais para driblar a morte.
E aprendeu a fazê-lo com altivez impressionante. Mesmo diante das maiores dificuldades, nada feria mais a honra de um sertanejo do que pedir uma esmola para alimentar seus filhos, de ventres marcadamente túrgidos, em decorrência da desnutrição crônica. Ele preferia vender a sua força de trabalho a preços aviltantes a pedir esmola. Suas mãos calejadas e sua pele tostada e vincada pelo sol – num mimetismo involuntário e cruel com a própria terra tostada e sulcada – nada mais eram que o invólucro de uma alma resiliente, de força inesgotável.
Esse sertanejo, May, tem servido ao longo dos séculos a propósitos nada nobres. Políticos inescrupulosos sempre souberam usá-lo como massa de manobra. Para que prover-lhe serviços públicos essenciais, como educação e saúde de qualidade? Por que prover-lhe cidadania? Dar-lhes consciência política? Não... a esses propósitos sempre interessou manter essa massa sob curto cabresto, como se fora uma sina.
Cabe dizer que o estudo, a educação formal sempre foram vistos pelos nordestinos como meio de redenção, de libertação. Assim é que aquelas famílias que tinham posses mínimas faziam todo o esforço para encaminhar seus filhos para estudar em cidades maiores ou na capital dos estados (lembro-me claramente de minha irmã mais velha, que passava horas trancada no quarto estudando, lendo Nietzche, Platão, Aristóteles...). Assim foi com os meus irmãos mais velhos e comigo, que aos 11 anos fui estudar numa cidade vizinha.  
O fato é que décadas, séculos de ausência de políticas públicas efetivas produziram a “indústria da seca” e o grande êxodo rural. Uma multidão de desvalidos, desamparados, passou a migrar para outras regiões do País, principalmente para São Paulo, em busca de uma vida melhor. A esse propósito, “May”, essa mão de obra farta e barata ajudou a construir os arranha-céus, o parque industrial, as pontes e viadutos dessa cidade maravilhosa que é São Paulo.         
Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga imortalizaram na poética “Asa Branca” a dor
 e a esperança do sertanejo que, diante da seca indômita, migra para outras paragens à espera de que a chuva volte ao sertão e faça verdejar de novo a plantação, fonte de sobrevivência (“quando o verde dos teus olhos se espalhar na plantação...”). Mas as intempéries do clima não se limitavam à seca. Muitas vezes as chuvas chegavam, depois de um longo estio, com uma força tal que destruía tudo que havia sido plantado. Isso também foi imortalizado por Luiz Gonzaga na belíssima “Súplica do Cearense” (“Oh! Deus, será que o senhor se zangou, e só por isso o sol arretirou fazendo cair toda a chuva que há...”).
Aqui uma observação relevante: não sou entusiasta de política assistencialista, particularmente se ela não for acompanhada de medidas voltadas para a promoção da autonomia, da cidadania: educação, saúde, segurança, geração de emprego, preparação para o mercado de trabalho, entre outras. De outro modo, estaremos perpetuando os cabrestos. Creio que somente com políticas públicas efetivas poderemos dar concretude ao princípio da igualdade.   
Por outro lado, “May”, a fome não pode esperar. Aí temos um outro princípio fundamental, que é o da proteção à vida. Não dá para pedir a quem tem fome que espere 10, 15 anos para que as políticas surtam efeito. Por isso entendo e existência de políticas públicas como o bolsa-família, com todos os riscos envolvidos. Cabe a nós, cidadãos politizados, sermos vigilantes e cobrarmos dos governantes a correção dos rumos.    
Bom, “May”, acho que já falei o suficiente para deixar claro que rejeito veementemente o adjetivo de vagabundo para o nordestino. Da próxima vez, antes de regurgitar sua frustração numa rede social, provavalmente do conforto de seus lençois e com a fome saciada, pense um pouco mais. Leia (você lê? A esse propósito, recomendo “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos), informe-se. Prepare-se para exercer a profissão que escolheu de uma forma edificante.
Sobre as eleições presidenciais 2010, ainda que o resultado não tenha sido do seu agrado, isto já não é relevante. Faça um tributo à democracia e reconheça a vontade soberana do povo, expressa nas urnas. Você nã precisa concordar, não precisa abrir mão de suas crenças e convicções. Apenas respeite a divergência. Assim se fará respeitar também. E contribuirá para o fortalecimento da democracia.
Brasília, 2 de novembro de 2010.
 
Nilvanete Ferreira da Costa
Nordestina, mulher, cidadã brasileira"