quinta-feira, 3 de junho de 2010

Poema de Civone Medeiros para Zila Mamede









Ilustração de Goulven Jagot para Escrituras Sangradas














...E na vida, essa mina. Essa sina. Zila é mar.
Que permaneço e passo. E repito com gosto: Zila além de sina é meu asilo
e compasso. Alfa-Ômega minha. M’acolhimento, vento, leito, ninho.
Alento, contra-veneno, encontro e contraste.
Mama Mamede m’aninha em teu leito, teus veios, braçadas, abraços.
Dá-me de mamar de teus dons, teu néctar.
M’embala em teus navegos, verve, trilhas, traços, ecos.
Desregra-me, desgarra. Com teu EXERCÍCIO DA PALAVRA...
Brota em mim tua ROSA DE PEDRA; hoje tu és mais ostra, rocha, coral.
SALINAS minh’alma; tu és mais algas.
Cultiva O ARADO em nós; tu, oh, arad’alma.Minha-Nossa...
Em exercícios – infindos – da palavra, não-nadas?
Teu CORPO A CORPO, alma a alma...
Entregue ao mar, absoluto porto... Qual lual...
Sina c’alma; e também fez-se um silêncio tão grande...
                                       “que se ouviam nascer açucenas”
Ser’tão Deusa que virou mar.
Será Sereia?
Yemanjaz?
M’amor, o mar ficou mais musa depois que você se entregou em seu
mergulho de virar Algas. És a primeira poeta-ponte entre Forte e
Redinha... Ironia? Nadadora exímia?
Paisagem, inspiração, luar, miragem, jangada, entrega, baldeação...
A ponte ficou mais poema depois do teu onde, teu quando, não-nado.
Trilha do sertão bruto – ardume, fértil, fonte – da Nova Palmeira pro
Forte e então Redinha imensa d’embalos... Teu canto?
A sina de Zila é a travessia, a ponte é o Potengi, qual nosso destino é a
barra, a beira, o fundo, o denso, a brisa.
A sina de Zila é o mar. Mar-a-mar... O mar é Zila.
É mar...
c.m

“Pudessem meus olhos vagos
ser ostras, rocha, luar
ficariam como as algas
morando sempre no
fundo do mar”
—Zila Mamede

Zila sobre Rocha e Mar...
Esta fotografia consta do Álbum organizado pela própria... Zila Mamede
e pertence a sua família. Captada do blog Sombra da Oiticica

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