sábado, 8 de dezembro de 2007

Folclore e conhecimentos transversais e alguma coisa mais

Alunos de Folclore Brasileiro, disciplina sob minha responsabilidade no semestre 2007.2, fizeram bons trabalhos finais. Foi-lhes sugerido que utilizassem uma das muitas linguagens folclóricas para veicular conhecimentos transversais. Dito e feito. Coreografia tematizando a inclusão social; fantoches falando da violência; um vídeo, de excelente qualidade, lembrando as agruras da Mãe Terra ("Origami Ecológico")... Filmei, mas não fotografei, infelizmente. Fiquei feliz, entretanto, pelas pequenas produções. É minha intenção investir nessa metodologia: produzir, produzir... Arte é, já por si só, uma forma de conhecimento, e ainda pode ductilizar a dureza da ciência... Lembremos M. Lobato, que fez isso tão maravilhosamente bem, lá pelos anos 30 do século XX (Emília no País da Gramática, O Poço do Visconde, etc). Foi um precursor do que chamei, na minha tese, de pedagogia performática, por ser uma pedagogia de fronteira, em diálogo com a arte. Só nos anos de 1990 é que surgem, na Europa, livros como O Mundo de Sofia e Alice no País do Quantum (o primeiro tenta contar a história da filosofia de forma romanceada; o segundo, também recorrendo à ficção, busca explicar a física quântica para leigos). É tempo de abrir mão das identidades 'fortes': isto é arte, aquilo é ciência e ambas não se encontram... Ora, o notável Marcelo Gleiser (físico brasileiro radicado nos Estados Unidos, onde recebeu o maior prêmio concedido a cientistas jovens) escreveu A Dança do Universo, livro em que faz referência à mitologia hindu nas explicações acerca da dinâmica do Universo (Shiva teria criado o mundo dançando; movimento de criação, morte, criação...)... E está escrevendo para crianças... E há aquele livro... Ciência e Imaginário. Bom ler, principalmente quem ainda tem resistência em aceitar que ciência e arte podem se dar muito bem... Acabemos com a guetificação do conhecimento! Isso leva a outras separações. Muitas vezes perigosas... E é preciso lembrar que a arte, muitas vezes, se antecipa à ciência.
Até mais. E "não importa por onde comece: ao tema voltarei sempre", como disse um pré-socrático.

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