sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

"Retrospectiva" e "Bula +"



Saíram o 5º número da revista "Bula+", produzida pelos alunos dos cursos do Departamento de Artes/UFRN, e o 1º número da revista "Retrospectiva", de responsabilidade dos alunos do curso de Comunicação Social/UFRN. Bons exemplos de autonomia, de saída das acomodações habituais. Lembro o Nietzsche do Atrevei-vos!, grito dirigido, justamente, à juventude. Criar não é só escrever um poema ou um pintar uma tela. É tudo isso: pensar uma revista e fazê-la surgir, pôr idéias lá, e contos e fotos, falar do rio Potengi (sem nenhum romantismo também, mas lembrando ações criminosas contra esse alimentador da vida), divulgar o ferro solar (de passar roupa) inventado por alunos de uma escola estadual do RN... E tanta coisa mais...
Parece que é assim: "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce", como disse F. Pessoa.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

"Manhã, tão bonita manhã..." no Museu Câmara Cascudo







Aberta, a partir de hoje, no Museu Câmara Cascudo, dirigido pela Profª Sônia Othon (DEART-UFRN) , a Exposição Cantos de Cascudo, com trabalhos dos componentes do GUAP-Grupo de Aquarela e Pastel, coordenado pelo Prof. Vicente Vitoriano ( DEART/UFRN), também artista plástico e participante da Expo. Os trabalhos foram inspirados em Canto de Muro, de Câmara Cascudo, um nome por demais reconhecido na pesquisa dos saberes tradicionais, aqui e alhures. O Museu como que rejuvenesce, abrindo-se a uma dinâmica de atividades que o tornarão mais familiar à comunidade.
Houve ainda uma mesa-redonda ( Cel. Fernando Hipólyto, Dr. Carlos Gomes, jornalista Vicente Serejo, Pery Lamartine e Ana Maria Cascudo, filha do pesquisador e coordenadora da mesa) sobre a ligação de Cascudo com a aviação... Sim, mais uma faceta do autor de Cinco Livros do Povo e de inúmeras outras obras.
Em "Câmara Cascudo: viajante da escrita e do pensamento nômade", a professora e ensaísta Ilza Matias de Sousa (Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem/Departamento de Letras-UFRN) diz: "Percorrer a obra de Cascudo equivale a percorrer o seu próprio trilhamento no discurso, na fala, na letra. Uma experiência que soube elevar a um nível que transcende os epítetos de folclorista, etnógrafo, historiador..."

Pois foi por esse Cascudo plural e inesquecível esta manhã tão bonita. Parabéns a todos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Rádio DEART e outras sugestões

Demos à Chefia do Deart estas sugestões para 2008:

-Verba para publicação de livros (autorias coletivas e individuais) em editora virtual, já que a EDUFRN está sempre sobrecarregada com a demanda dos professores da instituição;
-Criação da Rádio DEART, para avisos, divulgação de eventos, chamados de urgência, música ambiente e outros;
-Instalação de câmeras nas dependências do DEART, inclusive nas salas de aula, como forma de melhorar a segurança de todos e evitar 'sumiços' de objetos.

Alguém tem mais idéia?...



segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

E a criaAtividade foi ao tronco...: micropolítica ambiental


Numa rua ali por trás do novo Bom Preço (começo da Engº Roberto Freire) há um canteiro com coqueiros. Coisa corriqueira... Mas alguém veio e pregou tampinhas de pet no tronco de alguns, formando flores. Pequenos gestos que surpreendem o olhar incauto, acostumado às placas, às fachadas... Embora seja 'doloroso' para os coqueiros (as tampinhas são fixadas com prego), a Natureza agradece... Isso é um exemplo de micropolítica ambiental...
Parei, fotografei e aí está para vocês.

"Mundinho", de Veríssimo



Ainda falando de quadrinhos (alunos de Artes Visuais)... "Mundinho" apresenta um estudante de artes que vai ao XI Enearte-2007. Enquanto a turma faz suas performances, depois de todas as discussões (na faixa, lê-se "Entre o Poético e o Explícito" e "Discutindo Reconceitos"), alguém se isola em sua barraca, mas não consegue dormir com o barulhão... Resolve então abrir o zíper da barraca e dar uma espiada... Uau!... Estão todos lá, na maior celebração, dançando, tocando, jogando, interagindo, enfim..., e o Mundinho de olho arregalado, espiando...
COMO SE FOSSE NUMA SALA DE AULA (BÁSICO, FUNDAMENTAL, 3º GRAU...)
Numa sala de aula, o/a professor/a de artes visuais poderia ajudar a deflagrar diferentes leituras:
-Mundinho não quis participar, logo é um anti-social?
-Ou ele estava cansado e preferia dormir?
-Ou não gosta mesmo desse clima festivo?
-Ou é tímido? Se é, poderei ajudá-lo?...

Importa, no caso, trabalhar a tal DIFERENÇA, de que tanto se fala...
Dessa forma, pode-se levar a turma a lidar bem com o heterogêneo comportamental e evitar as (indesejáveis) rotulações. O mundão está cheio disso...

domingo, 9 de dezembro de 2007

Arte do Cosmo




Sabem quem pintou essas coisas bonitas aí?...
Manabu Mabe é que não foi... Nem Tomie Ohtake.
Nenhum pintor abstracionista.
Isso é o que se pode chamar, literalmente, arte cósmica.
Sim, a autoria é do Cosmo.
Sem mais comentário...

Comentando o comentário do Prof. Vicente Vitoriano

vvitoriano
O Prof. Vicente Vitoriano escreveu um comentário importante sobre a citação que fiz de Chacal, na postagem abaixo desta. Certo: a arte não deve ser posta numa perspectiva puramente (ou predominatemente) salvacionista. Ou não seria bem arte, mas substituta de remédios e outras coisitas mais...
A questão, para mim, salta, entretanto, para o que Nietzsche coloca em "A origem da tragédia". Para ele, a cultura grega já vinha em declínio antes de Sócrates, e quando este aparece, a juventude é levada a uma exacerbada racionalidade: dialética, dialética, a busca da 'verdade'... É o triunfo do mito de Apolo, representante da ordem, da serenidade, da lógica, da iluminação, da justa medida (as artes plásticas de então), esquecendo-se a (irrecusável) aliança com Dioniso - a emoção, os incertos da vida, a sua 'noturnidade', os momentos de caos, os perigos, as paixões... Se a vida é tudo isso, como requerer que se viva de modo impassível, estóico?... Então é preciso cantar, dançar, escrever... Acho que foi o caso de Chacal... Quanto ao "Entre Ratos", confesso que me empolguei já de saída, e até criei uma expectativa de prática analítica social como possível interesse (inconsciente ou não) do quadrinista... Pensei nas práticas ráticas de muitos políticos brasileiros... Mas nos quadrinhos assinados por Alex Fontes há um rato comendo uma nota musical, 'roubada' a artistas que tocam guitarra... Bom demais! O grande achado do quadrinho. Meio surreal, até kafkiano... Lamento pelos ratos 'reais', que tiram para se alimentar, e ganharam a mácula de ladrões. Mas o rato do artista rouba o irroubável... Pode ser um cacoete de professora, mas, considerando que se trata de uma obra aberta, não deixo de relacionar isso com o ratismo de muitos políticos: eles roubam notas, notas-dinheiro, milhões delas, e fazendo assim roubam também notas musicais - a guitarra que o menino pobre não pode comprar...
É assim: o artista faz, diz... As relações, as leituras fazemos nós, ainda que numa semiótica de risco, como é o caso.
Que os nossos quadrinistas insistam nesse trabalho. Seja qual for a motivação, como diz o querido colega Vicente. "Porque é importante", só por isso.
Comentarei, depois, os quadrinhos de "Mundinho", de Veríssimo...

Quadrinhos dos alunos de Artes Visuais


Vi: alunos de Artes Visuais criaram o protótipo da revista de quadrinhos "Entre Ratos"... Desconfio de que se trata de uma prática analítica social, que nunca foi território exclusivo de filósofos, sociólogos e historiadores. Esses jovens (entre os quais a dedicada Cláudia Maldonado) estão querendo alguma coisa de muito sério... Lembro aqui o que disse o poeta carioca Chacal, segunda-feira passada, no Solar Bela Vista: "Comecei a escrever nos anos de 1970 para não implodir. Não foi porque cultivasse literatura em casa, meu pai era jogador de futebol. Escrevi para sobreviver àqueles anos pesados". E defendeu que se ofereça aos jovens a possibilidade de se expressarem em alguma forma de arte, pois sem isso, sem esse canal, muita coisa desagradável pode acontecer à juventude (ele coordena, há 17 anos, um projeto cultural na prefeitura do Rio de Janeiro, trabalhando com oficinas de poesia, teatro e outras). Pois bem, esses jovens de "Entre Ratos", "Mundinho" e outros estão criando sua forma de expressão... A meu ver, não se trata apenas de um ato artístico, mas de um ato de política existencial. Autopoiese, como diz Guattari. E são bem-vindos... Há ratos demais comendo -não o queijo..., mas o pão das crianças. Embora o pão esteja do preço do queijo... Quadrinhos nos ratos (des)humanos, já que eles não vão para os quadradinhos de ferro como merecem...

YERMA no Teatrinho do DEART


Dia 15 de dezembro, às 19 horas, Isa Cortez (direção) e seu grupo apresentam a peça YERMA. Vamos ver e prestigiar o esforço dessa turma valente!
"YERMA é uma peça de teatro do poeta espanhol Federico García Lorca. Foi escrita em 1934, e apresentada pela primeira vez no mesmo ano. É uma obra popular de caráter trágico, ambientada em Andaluzia, no início do século XX. Yerma é uma mulher que vive o drama de não poder conceber um filho. Busca de todas as formas engravidar e enfrenta a indiferença do marido, Juan, que não demonstra nenhum interesse em compartir da sua angústia.

Diálogo da personagem Maria com Yerma sobre a sensação de carregar um filho:

- Maria: não perguntes mais. Nunca sentiu um pássaro vivo apertado na mão?
- Yerma: já senti.
- Maria: pois é o mesmo... mas por dentro do sangue."
(http://pt.wikipedia.org/)

sábado, 8 de dezembro de 2007

Folclore e conhecimentos transversais e alguma coisa mais

Alunos de Folclore Brasileiro, disciplina sob minha responsabilidade no semestre 2007.2, fizeram bons trabalhos finais. Foi-lhes sugerido que utilizassem uma das muitas linguagens folclóricas para veicular conhecimentos transversais. Dito e feito. Coreografia tematizando a inclusão social; fantoches falando da violência; um vídeo, de excelente qualidade, lembrando as agruras da Mãe Terra ("Origami Ecológico")... Filmei, mas não fotografei, infelizmente. Fiquei feliz, entretanto, pelas pequenas produções. É minha intenção investir nessa metodologia: produzir, produzir... Arte é, já por si só, uma forma de conhecimento, e ainda pode ductilizar a dureza da ciência... Lembremos M. Lobato, que fez isso tão maravilhosamente bem, lá pelos anos 30 do século XX (Emília no País da Gramática, O Poço do Visconde, etc). Foi um precursor do que chamei, na minha tese, de pedagogia performática, por ser uma pedagogia de fronteira, em diálogo com a arte. Só nos anos de 1990 é que surgem, na Europa, livros como O Mundo de Sofia e Alice no País do Quantum (o primeiro tenta contar a história da filosofia de forma romanceada; o segundo, também recorrendo à ficção, busca explicar a física quântica para leigos). É tempo de abrir mão das identidades 'fortes': isto é arte, aquilo é ciência e ambas não se encontram... Ora, o notável Marcelo Gleiser (físico brasileiro radicado nos Estados Unidos, onde recebeu o maior prêmio concedido a cientistas jovens) escreveu A Dança do Universo, livro em que faz referência à mitologia hindu nas explicações acerca da dinâmica do Universo (Shiva teria criado o mundo dançando; movimento de criação, morte, criação...)... E está escrevendo para crianças... E há aquele livro... Ciência e Imaginário. Bom ler, principalmente quem ainda tem resistência em aceitar que ciência e arte podem se dar muito bem... Acabemos com a guetificação do conhecimento! Isso leva a outras separações. Muitas vezes perigosas... E é preciso lembrar que a arte, muitas vezes, se antecipa à ciência.
Até mais. E "não importa por onde comece: ao tema voltarei sempre", como disse um pré-socrático.

Encerramento do semestre letivo 2007.2-Deart-UFRN- 1


Cartaz da exposição dos alunos de Linguagem Visual, disciplina ministrada pelo Prof. Vicente Vitoriano. Os corredores do DEART estão repletos de (bons) trabalhos. CriAtividade...

Encerramento do semestre letivo 2007.2 no DEART -UFRN-2




Exposição dos trabalhos dos alunos de Artes Gráficas,disciplina ministrada pela Profª Gerlúzia Alves, que desenvolve pesquisa sobre os sítios rupestres do seridó do RN.