segunda-feira, 20 de agosto de 2007

22. Michel Mafesolli falará sobre "reencantamento do mundo na pós-modernidade". O que será esse reencantamento?...

No dia 05 de setembro próximo, às 19 horas, no auditório B do CCHLA, o (intelectual/sociólogo/professor/escritor...) francês Michel Maffesoli falará sobre O Reencantamento do Mundo na Pós-Modernidade. Vocês já devem ter lido e ouvido bastante esta expressão: "reencantamento do mundo". Ela surgiu na Campanha O REENCANTAMENTO DO MUNDO, lançada pela TRÓPIS em São Paulo às 21 h do dia 01/12/2001,com show da banda Provisório Permanente (contato tropis@tropis.org ).
E aqui vão trechos de um manifesto lançado mundialmente pela internet à meia-noite do mesmo dia, e que ajuda a compreender o espírito desse reencantamento:
"Jovens e adultos, crianças e velhos de coração vivo,
recusamos acreditar que a vida tenha que ser tão besta como nos tem sido apresentada. Um mundo em que todos têm que rosnar uns para os outros, e cumprir metas cinzentas, que ninguém sabe quem estabeleceunem a que levam."
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Encantamento! Não, não falamos de simulacros, de sonhos enlatados disneyanos pintados em paredões sem vida, nem de telinhas fosforescentes numa vida-prisão. Falamos de consciência aguda do Momento e do Lugar. Você frente a frente com as coisas, cara a cara com a Vida. Vendo mundos em grãos de areia, e um céu numa flor do mato (William Blake)."
"
É sério: só com profissionais encantados teremos mundo onde valha a pena viver. Não só os artistas e cientistas. Para o professor, é óbvio, essa é a primeira condição. Mas não basta: o DELÍRIO RESPONSÁVEL precisa chegar ao hardcore dos que fazem este mundo: engenheiros, advogados, administradores... Até que o sonho realize cidades menos irracionais, até que os funcionários dos três setores suicidem essa violência estéril chamada burocracia, até o último juiz enxergar que condicionar Justiça a "excelências" e "meritíssimos" é opressão indigna de subsistir num mundo digno de subsistir. Até que todas as relações humanas tenham rosto humano de novo."
"
Mirantes em toda parte como investimento: afinal, sou do tamanho do que vejo, e não do tamanho da minha altura (Fernando Pessoa). A cidade está produzindo multidões sem visão – e a solução não está em “líderes sábios”, pois podemos ser um povo inteiro de sábios. Visão e maravilhamento para todos!!!"

Você pode ler todo esse importantíssimo manifesto em:
http://www.tropis.org/biblioteca/reencantamento.html

terça-feira, 7 de agosto de 2007

20."Estética da multidão": o texto de Bárbara Szaniecki

Em si, a internet é, provavelmente, o que há de mais democrático no planeta. Os blogs, por exemplo: há-os sobre tudo e até sobre (quase) nada. Há blogs de feitio 'acadêmico', co-adjutores dos processos de conhecimento. Destaco, neste momento, o Canal Contemporâneo-Blog do Canal. Nele há um vasto e estimulante texto de Bárbara Szaniecki sobre a estética visual (cartazes) e política, nestes incertos tempos. Chama a atenção o tópico "Estética da multidão", em que ela comenta um livro de sua autoria:

"Estética da multidão
Em Estética da Multidão, analisei processos que, por serem muitos, são avessos a toda forma de classificação e que, por estarem sempre em mutação, são avessos a toda forma de captura. O avesso do avesso do avesso do avesso: subversões, inversões, carnavalizações e semiofagizações propostas pelas lutas sociais globais no império contemporâneo. Mimetizando seus movimentos, transitei da teoria política às práticas estéticas experimentando, para além das aparências acadêmicas, um tateamento despretensioso dos terrenos estético e político que me permitiu evitar as certezas totalitárias de cada campo específico. Ao final do livro, baseando-me em Poder Constituinte de Negri (ou seja, a partir de um “fora” do campo constituído das Artes), abordei a subversão de um espetáculo midiático (a legitimação da guerra do Iraque pelas imagens catódicas da queda da estátua de Saddam em Bagdá) em evento multitudinário (a crítica da guerra através do irreverente tombamento de uma falsa estátua de Bush em Londres). Do ritual ao inesperado: procurei o léxico adequado para dizer o que até então era indizível ou mal-dito."

Leia o texto integral em:
http://www.canalcontemporaneo.art.br/blog/archives/2007_05.html
(foto:http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_entrevistas&Itemid=29&task=entrevista&id=6095

Barbara Szaniecki é formada em Design pela École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs, na França. Atualmente, é doutoranda no Departamento de Artes e Design da PUC-Rio.

No mesmo sítio da foto, a pesquisadora apresenta as questões que conduziram sua investigação. O que ela diz vale por uma aula sobre como pesquisar, como perceber questões, apresentá-las e por elas se guiar. Vejam:

O livro A estética da multidão de Barbara Szaniecki, recém publicado pela Editora Civilização Brasileira, usando o conceito de multidão de Antonio Negri e Michael Hardt, estuda a prática da produção de cartazes políticos. "Como o poder se representa? Quais são as fórmulas que usa em sua representação? É possível distinguir elementos que se mantém constantes ao longo da história? E a resistência ao poder usa os mesmos códigos? Usa outros? Quais? Foram essas entre outras as questões que nortearam a minha pesquisa", afirma a pesquisadora. "O meu interesse era investigar o cartaz político contemporâneo, numa concepção ampla: cartazes tradicionais mas também cartazes de internet e, sobretudo, as imagens políticas que colorem as manifestações globais, como aquelas contra a guerra do Iraque".

Pois é. Assim se faz pesquisa.

domingo, 5 de agosto de 2007

19. Parâmetros Curriculares Nacionais-PCN: junção arte/ciência

Talvez não esteja de todo compreendida a proposta avançada dos PCN... Digo assim porque ainda se percebe a desconfiança em relação à arte enquanto fazer e produção de conhecimento.
Esse fazer inclui o imaginário, daí a perplexidade, quando não o desdém. O texto que segue foi copiado de As Inovações das Artes, cujo endereço está no final da postagem.

"O que os PCN propõem para o ensino de Artes de 1ª a 4ª série?
Um dos pontos inovadores dos PCN é o rompimento da dicotomia entre arte e ciência, entre pensar e agir, entre sentimento e pensamento. O ensino de Artes visa desenvolver na criança e a sensibilidade, essenciais também para a aprendizagem das demais disciplinas. Esse desenvolvimento se dá por meio de quatro linguagens artísticas – música, dança, teatro e artes visuais. A maneira de trabalhar os conteúdos também é inovadora. Até aqui, a maioria das escola que inclui a dança em sua programação, o faz por meio de coreografias sem nenhuma espontaneidade ou criatividade. Também são comuns as aulas de balé em algumas escolas particulares, num movimento oposto ao que acontece nas ruas do Brasil, onde a dança explode naturalmente como um elemento fundamental da nossa identidade cultural. Outras mudanças são a substituição de artes plásticas por artes visuais e a a inclusão do teatro, que até então se resumia praticamente às famosas montagens de "pecinhas" de final de ano. "

Fica a pergunta: quem tem medo de criar?... Se não criamos, somos meros reprodutores. Por isso mesmo Nietzsche 'gritava': atrevei-vos! E tinha a arte como a 'grande aliciadora da vida'.

Leia mais em:
http://klickeducacao.ig.com.br/2006/conteudo/pagina/0,6313,IGP-151-664,00.h