quarta-feira, 11 de julho de 2007

8. Arte no Ensino Infantil: não é brincadeira




Concluída a minha participação no I Encontro Internacional de Educação Infantil e do XVI Congresso Brasileiro de Educação Infantil, realizados pela OMEP-BR/RN e Núcleo de Educação Infantil-NEI/UFRN (9 a 11 de julho de 2007), com apoio de outros órgãos, procurou-me uma professora do Ensino Infantil para dizer de sua dificuldade em trabalhar a arte, segundo a expressão usada por ela, com os seus alunos. O desabafo, se me deixou comovida pela sinceridade e vontade de acertar, me obrigou a buscar na estante o que lá havia de melhor como sugestão de leitura. E é especialmente para essa professora anônima e buscadora que deixo esta indicação: o livro Metodologia do Ensino de Arte, de Maria Heloísa Ferraz e Maria F. de Rezende e Fusari. As autoras partem de indagações como: Que práticas e reflexões podem contribuir no desenvolvimento de cursos para estudantes direcionados ao magistério em Arte junto à infância? Que proposições artísticas, estéticas e pedagógicas devem manter ou mudar, no trabalho de uma educação escolar para crianças? Como fazê-lo, sabendo-se que a principal finalidade dos cursos é a de ajudá-las a compreender, interpretar e atuar na melhoria da ambiência natural e cultural de seu país? (v. orelha do livro) Elas discutem o significado da arte na educação. Falam da história educativa em arte e se perguntam pela arte que queremos fazer. Debruçam-se sobre a questão da expressividade infantil, da percepção, da imaginação e da fantasia; do jogo simbólico, do lúdico, do desenho infantil. Dão sugestões de atividades e indicam leituras... Tudo bem. Mas a jovem professora pode não ser, exatamente, uma professora de arte. Pode ser que ela queira fazer uma aliança, digamos, entre conteúdos lógicos e o imaginário... O livro em questão destina-se a professores de arte. Como fica a questão?... A professora vai se sentir ajudada ou com mais dificuldades?... Talvez ela esteja buscando uma pedagogia que inclua a arte, que se desenvolva mediante a quebra dessa barreira entre a arte e os demais saberes. Penso que a questão da arte, aqui, é semelhante à do letramento. É recomendado que este seja praticado não só por professores de português, mas por todos os demais, já que todos os campos de conhecimento (na escola) envolvem escrita e leitura. Ora, a arte é o campo específico de saber que, privilegiadamente, considera o indivíduo na sua constituição bidimensional: ser de razão e de fantasia, e esta visão deve ser levada em conta por outras áreas de conhecimento. Talvez estejam faltando discussões em torno disso... Talvez oficinas, cursos de capacitação... Uma questão pra se pensar, pois arte no Ensino Infantil não é brincadeira..., no sentido corriqueiro da palavra. Por enquanto, ficam estas indicações:

SÍTIOS
-Arte no ensino infantil
http://novaescola.abril.com.br/ed/173_jun04/html/musica.htm -Laboratórios de Brinquedos e Materiais Pedagógicos http://www.fe.usp.br/laboratorios/lambrimp/index.html
Artigo "Propostas para a arte na educação infantil"-Sílvia Sell Duarte Pillotto
http://www.artenaescola.org.br/pesquisa_artigos-texto.php?id_m=24
Artigo "Arte é Conhecimento, é Contrução, é Expressão"-Joselaine B. Freitas
http://www.conteudoescola.com.br
LIVROS
VERDELHO, Valdeci.
Arte arteira: brinquedos, brincadeiros, brincadeiras. São Paulo: MD Comunicação, 1992
MACHADO, Mariana M. Brinquedo-sucata e a criança. São Paulo: Loyola, 1994
SANS, Paulo de T. C.
A criança e o artista: fundamentos para o ensino de artes plásticas. Campinas: Papirus, 1995

______________

FERRAZ, Maria Heloísa C. de T. ;FUSARI, Maria F. de Rezende. Metodologia do ensino de arte. São Paulo: Cortez,1993 (fotos de Iolanda Huzak e Adriana Rodrigues, p. 52)

Nenhum comentário: