terça-feira, 31 de julho de 2007

18. SITIOTECA: mais um neologismo necessário

Videoteca, midioteca... Os avanços da tecnologia levam, inevitavelmente, à criação de neologismos para uma 'justa' denominação desses conjuntos de meios. Pois bem: se não existia, existe a partir de agora esta expressão: sitioteca, que quer dizer, mais ou menos, uma coleção de sítios... Net-sítios, bem entendido. Os que já foram indicados neste jornal, aqui e acolá, assemelham-se a textos de papel deixados também aqui e acolá... Vão mais alguns, copiados das estantes intangíveis da internet:

Como vai a arte brasileira?
http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/e/e_texto.cfm?Revista_
ID=1&Edicao_Id=141&Artigo_ID=1796&maior=0&menor=0

Apresenta um diagnóstico da produção cultural no Brasil, elaborado por alguns artistas, estudiosos e críticos de arte.
Fazendo Arte na Escola
http://bauhaus.belasartes.br/artenaescola/
Estão disponibilizadas propostas de ensino baseada na arte, cidadania, interdisciplinaridade e seus pressupostos teóricos/práticos.
Uma máquina fotográfica de lata
http://novaescola.abril.com.br/ed/170_mar04/html/faca.htm
Ensina a transformar uma simples lata em máquina fotográfica, que poderá ser usada em atividades de interação com a comunidade. Explica os mecanismo da máquina (Física) e o passo a passo da revelação das fotos (Química).

A brincadeira e a cultura infantil
http://www.fe.usp.br/laboratorios/labrimp/cullt.htm
O texto aborda a importância dos brinquedos, brincadeiras, contos e lendas, para formar crianças criativas, críticas e aptas a tomar decisões, cabendo à escola a tarefa de disponibilizar e trabalhar a partir desse acervo.

Se quiser conhecer outros, entre direto aqui:

http://www.crmariocovas.sp.gov.br/aed_l.php?t=001

Vale a pena.

16. "Artes Plásticas no Nordeste": Ana Mae Barbosa


Flora Noturna. Antônio Bandeira (Fortaleza, 1922-Paris,1967)



O texto integra a Revista Estudos Avançados e é de 1997. Nele, Ana Mae Barbosa faz uma análise das artes plásticas no nordeste, mostrando a 'diáspora' de artistas e intelectuais nos anos da última ditadura, situação que os levou a se espalhar pelo Rio e S. Paulo, cidades, para ela, mais abertas aos literatos do que aos artistas plásticos nordestinos. Cita Cícero Dias e Antônio Bandeira, que acabaram imigrando para a Europa, e Vera Novis, crítica de arte nordestina, que a muito custo conseguiu publicar um livro sobre Antònio Dias, reconhecido como um inovador, mas excluído das divulgações publicitárias "dos críticos que ditam a moda". Um trecho do artigo:

"A obra de artistas como Carlos Oswald, Aloísio Magalhães ou Lula Cardoso Ayres vai ter que esperar por outros teimosos críticos, fora do circuito dominante, como Vera, ou virar tese de algum estudante de pós-graduação para terem os livros e/ou as retrospectivas que merecem. Espero que não demore tanto tempo como no caso de Vicente do Rego Monteiro, o mais original dos modernistas brasileiros. Tendo-se em vista que originalidade era um dos valores máximos do Modernismo, demorou muito para que sua obra atingisse um patamar além do mero reconhecimento. Isto só se deu na década de 70 porque o poder nas Artes Plásticas naquela época estava nas mãos de um homem sem preconceitos, um historiador de olhar plural, Walter Zanini, que organizou uma inesquecível retrospectiva de Rego Monteiro no MAC-USP."

Leia mais em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40141997000100013&script=sci_arttext

segunda-feira, 30 de julho de 2007

15. Jussara Queiroz, cineasta potiguar (quase) esquecida

Ontem, 29, a TV Cultura apresentou longa matéria sobre Jussara Queiroz. Nascida no interior do Rio Grande do Norte, Jussara mudou-se para o Rio de Janeiro onde, não por acaso, se tornou cineasta. Não por acaso porque, segundo depoimento da irmã, quando bem jovem, quase menina, ela 'inventou' uma maquininha de projeção: um vasilhame com água, figurinhas de chiclete e uma lanterna... Assim conseguia projetar na parede as cenas das figurinhas, o que atesta um apelo indomável pelo cinema. Segundo depoimento de vários cineastas que com ela trabalharam ou foram seus amigos, Jussara teve papel decisivo no cinema brasileiro dos anos de 1970. Anos politicamente pesados, todos sabem, e ela fez do cinema também uma linguagem de resistência.
Na matéria da TV Cultura, foi dito que, no Festival de Cinema de Natal, os filmes de Jussara foram ignorados. Mais claramente: recusados...
Ela está morando em Natal, desde que passou por um sério problema de saúde. Fica a sugestão para que alunos de Artes Visuais façam uma pesquisa sobre essa realizadora de quem nada se sabia por aqui, não fosse a TV Cultura.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

14. Temas Transversais na Educação

Muito já se falou em 'conteúdos transversais' na educação, mas os recém-chegados aos cursos de licenciatura talvez não saibam, ao certo, do que se trata. Vai, abaixo, texto sobre o assunto, copiado da página do Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial de São Paulo:

"Os temas transversais são estabelecidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN's) e compreendem seis áreas: Ética, Orientação Sexual, Meio Ambiente, Saúde, Pluralidade Cultural e Trabalho e Consumo. Eles são a marca da escola da ultramodernidade e constituem uma série de valores humanos a ser desenvolvidos nas escolas (higiene, habitação, lazer, valores, atitudes, comportamentos, etc...). Urgência social, abrangência nacional, possibilidade de ensino e aprendizagem, favorecendo a compreensão da realidade e participação social foram os critérios adotados para a eleição dos Temas Tranversais."

"Os temas transversais vieram para enfrentar a compartimentabilidade do saber. Com efeito, desde 93, Marimon e outros estudiosos desses temas, apontam como solução a integração dos saberes, onde as disciplinas científicas devem se impregnar da vida cotidiana, sem renunciar às elaborações teóricas, imprescindíveis ao avanço da ciência. Esses temas permitem a incorporação de novas propostas e pesquisas de novos currículos, que hão de se tornar complexos ou globalizados, impregnando-se da problemática do mundo."
Leia mais em:

quarta-feira, 25 de julho de 2007

13. Blog de Artes Visuais: interações







Ex-aluno do antigo curso de Educação Artística da UFRN, Erinaldo Nascimento hoje é professor doutor no curso homônimo da UFPB. Já ministrou curso no DEART/UFRN, pelo Projeto Arte na Escola, e é autor de um blog sobre o ensino de artes visuais. Vale anotar e acessar:
http://ensinandoartesvisuais.blogspot.com/
Assim vamos saindo das nossas ilhas acadêmicas...

12. Jornal de Artes é acessado em Portugal

Das expressões populares, extraio uma que serve para os dias de hoje, especialmente para o trânsito net das informações: "Mundo aberto, sem porteira...". Verdade. Tanto é assim que este jornal foi acessado por um professor aposentado da Universidade de Évora, Portugal: Joaquim Quitério Correia. Ele nos parabeniza por e-mail. Resta esperar que os alunos de Artes (para quem, principalmente, este jornal foi pensado) também acessem e dêem o esperado retorno, em forma de sugestões, participações, etc.

terça-feira, 24 de julho de 2007

11. Bolsas de Estudo

"Coloque o seu futuro em boas mãos: as suas." (Anônimo)
Se você está concluindo a graduação e deseja fazer mestrado, anote o link abaixo (não é possível acessar direto daqui). Nele encontra-se um amplo quadro de indicação de bolsas. Veja, tente e... arrume a mochila! E boa sorte.
http://www.sinprorp.org.br/Estudante/estudante067.htm

quarta-feira, 11 de julho de 2007

8. Arte no Ensino Infantil: não é brincadeira




Concluída a minha participação no I Encontro Internacional de Educação Infantil e do XVI Congresso Brasileiro de Educação Infantil, realizados pela OMEP-BR/RN e Núcleo de Educação Infantil-NEI/UFRN (9 a 11 de julho de 2007), com apoio de outros órgãos, procurou-me uma professora do Ensino Infantil para dizer de sua dificuldade em trabalhar a arte, segundo a expressão usada por ela, com os seus alunos. O desabafo, se me deixou comovida pela sinceridade e vontade de acertar, me obrigou a buscar na estante o que lá havia de melhor como sugestão de leitura. E é especialmente para essa professora anônima e buscadora que deixo esta indicação: o livro Metodologia do Ensino de Arte, de Maria Heloísa Ferraz e Maria F. de Rezende e Fusari. As autoras partem de indagações como: Que práticas e reflexões podem contribuir no desenvolvimento de cursos para estudantes direcionados ao magistério em Arte junto à infância? Que proposições artísticas, estéticas e pedagógicas devem manter ou mudar, no trabalho de uma educação escolar para crianças? Como fazê-lo, sabendo-se que a principal finalidade dos cursos é a de ajudá-las a compreender, interpretar e atuar na melhoria da ambiência natural e cultural de seu país? (v. orelha do livro) Elas discutem o significado da arte na educação. Falam da história educativa em arte e se perguntam pela arte que queremos fazer. Debruçam-se sobre a questão da expressividade infantil, da percepção, da imaginação e da fantasia; do jogo simbólico, do lúdico, do desenho infantil. Dão sugestões de atividades e indicam leituras... Tudo bem. Mas a jovem professora pode não ser, exatamente, uma professora de arte. Pode ser que ela queira fazer uma aliança, digamos, entre conteúdos lógicos e o imaginário... O livro em questão destina-se a professores de arte. Como fica a questão?... A professora vai se sentir ajudada ou com mais dificuldades?... Talvez ela esteja buscando uma pedagogia que inclua a arte, que se desenvolva mediante a quebra dessa barreira entre a arte e os demais saberes. Penso que a questão da arte, aqui, é semelhante à do letramento. É recomendado que este seja praticado não só por professores de português, mas por todos os demais, já que todos os campos de conhecimento (na escola) envolvem escrita e leitura. Ora, a arte é o campo específico de saber que, privilegiadamente, considera o indivíduo na sua constituição bidimensional: ser de razão e de fantasia, e esta visão deve ser levada em conta por outras áreas de conhecimento. Talvez estejam faltando discussões em torno disso... Talvez oficinas, cursos de capacitação... Uma questão pra se pensar, pois arte no Ensino Infantil não é brincadeira..., no sentido corriqueiro da palavra. Por enquanto, ficam estas indicações:

SÍTIOS
-Arte no ensino infantil
http://novaescola.abril.com.br/ed/173_jun04/html/musica.htm -Laboratórios de Brinquedos e Materiais Pedagógicos http://www.fe.usp.br/laboratorios/lambrimp/index.html
Artigo "Propostas para a arte na educação infantil"-Sílvia Sell Duarte Pillotto
http://www.artenaescola.org.br/pesquisa_artigos-texto.php?id_m=24
Artigo "Arte é Conhecimento, é Contrução, é Expressão"-Joselaine B. Freitas
http://www.conteudoescola.com.br
LIVROS
VERDELHO, Valdeci.
Arte arteira: brinquedos, brincadeiros, brincadeiras. São Paulo: MD Comunicação, 1992
MACHADO, Mariana M. Brinquedo-sucata e a criança. São Paulo: Loyola, 1994
SANS, Paulo de T. C.
A criança e o artista: fundamentos para o ensino de artes plásticas. Campinas: Papirus, 1995

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FERRAZ, Maria Heloísa C. de T. ;FUSARI, Maria F. de Rezende. Metodologia do ensino de arte. São Paulo: Cortez,1993 (fotos de Iolanda Huzak e Adriana Rodrigues, p. 52)

sexta-feira, 6 de julho de 2007

6. "BORRACHALIOTECA"... MUNDURUKU...: a arte de estar no mundo




Um borracheiro de Belo Horizonte pensou e fez uma biblioteca no espaço da borracharia. E pôs o nome: BORRACHALIOTECA. Prometeram-lhe que, se passasse no vestibular, ganharia meia bolsa de estudos. Passou e ganhou, conforme foi dito no Globo Repórter-TV Globo, de 06.07.2007... Daniel Munduruku, índio, formou-se em filosofia, história e psicologia. É professor de mestrado em Educação em Valores Humanos. Foi educador social de rua pela Pastoral de Menor de Rua de São Paulo. Já fez conferências e participou de oficinas culturais na Europa. Escreveu Histórias de índio (Companhia das Letras), para criança, e O Banquete dos Deuses (Editora Angra,SP), para nós todos. Duas histórias humanas de altíssima beleza. Há outras, certamente. Há a do catador de papel que, nas ruas de S. Paulo, um dia catou um livro, e outro, e mais outro, e começou a pedir livros a quem pôde, e arrumou tudo na salinha de sua casa. Daí a pouco quase não tinha onde dormir com a mulher, pois os livros foram vindo e ocupando os poucos metros quadrados do casebre.

Estes são, para mim, verdadeiros e grandes transformadores da sociedade. Praticam a arte de estar no mundo. Arte porque tudo isso envolve uma atitude esplendidamente (auto)criadora, semelhante à planta que brota nas feridas de um muro abandonado -no caso, o muro da história social, política e econômica. Homens assim são autênticos criadores de um ethos de nação. São educadores, no sentido mais alto da palavra. São pontos de luz numa sociedade enlutada face a tantos que praticam a des-arte de estar no mundo. Melhor dizendo: o desastre, em que muitos políticos são exímios e perfeccionistas. Contra essa asfixia moral, há esses exemplos citados aqui. Exemplos inspiradores, que oxigenam a capacidade de sonhar. Na palavra de Munduruku (2000, p. 72):

Não escolhi ser índio, (...), mas escolhi ser professor, ou melhor, confessor dos meus sonhos. Desejo narrá-los para inspirar outras pessoas a narrarem os seus, a fim de que o aprendizado ocorra pela palavra e pelo silêncio. É assim que "dou" aula... com esperança... e com sonhos... __________
MUNDURUKU, Daniel. O banquete dos deuses: conversa sobre a origem da cultura brasileira. São Paulo: Ed. Angra, 2000




terça-feira, 3 de julho de 2007

5. Arte (visual) brasileira: breves tópicos






1. QUE HISTÓRIA É ESSA DE PRÉ-HISTÓRIA?
Se tomamos como arte os desenhos rupestres, podemos dizer que parte da história da arte brasileira se inicia aí (como acontece analogamente em outros países). Não vou, entretanto, chamar essa arte de pré-histórica. Ela é histórica, já que informa sobre a nossa ancestralidade mais longínqua. É também documento. É narrativa visual. Mas os historiadores, em geral, continuam insistindo na expressão pré-histórica, justificando-a com o argumento de que essas manifestações pertencem a um tempo em que não se conhecia a escrita... E o que é a escrita, afinal?... Ora, as letras que aqui estou teclando são desenhos. Quando escrevo meu nome, desenho representações dos sons -as letras. Então é aceitar que a arte rupestre brotou nos tempos ágrafos, ou seja, nos tempos anteriores à invenção da escrita formal, mas é histórica. E não sejamos mais cúmplices desse modo vesgo de conceber história, desenho e escrita. São disjunções desnecessárias e danosas, que só colaboram para que se pratiquem outras tantas, a partir mesmo da escola e da universidade, onde esse discurso inadequado tende a ser mais reproduzido, pois é o que aprendemos nos livros. Uma possível e perigosa conseqüência, nesse sentido, é se pensar que os analfabetos estão fora da história, pois não dominam a escrita! Milhões de indivíduos, no Brasil, seriam... pré-históricos. Isto é sério.
2.ARTE E CULTURA
Verdade é que o senso estético não é privilégio dos civilizados. Impossível supor um povo, o mais cronologicamente distante do século XXI, sem manifestações estéticas, ainda que funcionais (cestaria, cerâmicas, estatuetas, mitos, cantos, danças...) .
A humanidade que habitou, muitos milênios atrás, o território hoje chamado Brasil, também devia dançar e cantar ritualisticamente. Entrelaçam-se, pois, as noções de arte e cultura, dependendo da nossa perspectiva: se algo é ritualístico, é cultural, uma vez que supõe transmissão de geração a geração (tradição). Será visto como arte se nosso olhar escolher uma perspectiva predominatemente estética.
3. ARTE INDÍGENA
A esse didático ponto zero da história da nossa arte - inscrições rupestres, de que o nordeste é generoso mostruário, como é o caso do Rio Grande do Norte (Lajedo da Soledade, por exemplo), Paraíba, Piauí, Bahia... -, deve-se acrescentar a arte indígena: arte plumária, cantos (de iniciação, de guerra...), pinturas corporais..., embora, para eles, tudo isso tenha sobretudo, em nossa linguagem cristã, um sentido sagrado. Porém, é uma mais que justa proposta inclusiva, já que a tendência é se começar falando da arte colonial, do barroco, o que significa uma posição eurocêntrica, de encobrimento do outro, como diz Henrique Dussel.
4. ANDAMENTOS
No andamento dessa história, temos, sim, a utilização de fantoches pelos jesuítas - com o objetivo de catequizar os indígenas por via do lúdico-, e do teatro, particularmente pelo Pe. Anchieta, que escreveu autos de Natal, da Paixão, etc., em tupi e português, e poemas nas areias das praias.
Deve-se considerar também a pintura dos holandeses Albert Eckout (1610-1666 (v. quadro de mulher negra com criança, acima)) e Frans Post (1612-1680), para cá trazidos por Mauricio de Nassau.
5. A MISSÃO ARTÍSTICA
Outro dado importante é a Missão Artística Francesa, grupo de artistas franceses que veio para o Brasil com D. João VI (1816), quando este buscou, no Rio de Janeiro, refúgio para escapar da invasão napoleônica. O rei trouxe instrumentos para montar a primeira gráfica brasileira. Imprimiram-se livros e o jornal A Gazeta do Rio de Janeiro. Os artistas da Missão fundaram a Academia Imperial de Belas Artes - onde estudou o potiguar Joaquim Fabrício Gomes de Souza (1855-1900), arquiteto e poeta, tido como o pioneiro da pintura no Rio Grande do Norte (há uma rua em Natal com seu nome), conforme Caldas (1989), enquanto o paraibano Pedro Américo (Areia-PB, 1843-Florença,1905), depois de se doutorar em ciências físicas pela Universidade de Bruxelas e estudar filosofia, literatura e pintura em Paris, assumiu, aí, a cátedra de desenho.
A Missão intensifica a influência da cultura européia na colônia, seguindo um padrão neoclássico nas pinturas, esculturas, nos desenhos, colunas, arcos, frontões.
6. A INFLUÊNCIA DE RUSKIN
Em 1856, é fundado o Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (Joaquim Béthencourt da Silva), que tinha como proposta formar uma consciência positiva em torno do trabalho manual. Rui Barbosa aderiu ao projeto, fez-se seu sócio benemérito e chegou a pronunciar, no Liceu, um discurso com o título de O Desenho e a Arte Industrial. Neste texto, citou partes de escritos do britânico John Ruskin (1819-1900), crítico de arte, crítico social, poeta e desenhista (é dele a frase: "É preciso ver como um cego veria se, de repente, pudesse ver", que vale por uma pedagogia radical e mínima em torno do processo criativo). O dado novo do Liceu é que seu método de ensino, inspirado nas idéias de Ruskin, estimulava a prática de estilos diferentes (ecletismo) como uma forma de permitir que o aluno se colocasse como um criador, saindo, portanto, da mera reprodução do paradigma clássico. Vale lembrar que essa instituição era mantida pela Sociedade de Bellas Artes, empenhada em fazer da cidade uma obra de arte a céu aberto -sonho buscado, hoje, principalmente por cidades turísticas de médio porte (observe Natal, seus dois portais, tímidos, mas dando um ar estético à cidade...).

7. SEMANA DE 22
Finalizando este roteiro, por certo incompleto e superficial (mas é o que é possível aqui: cabe a você, aluno/a, ampliar o caminho, descobrir veredas...), lembremos, enfim, a Semana de Arte Moderna- busca de brasilidade, de macunaimização de uma cultura fortemente europeizada desde 1500. Cultura das elites, diga-se, porque os índios que restaram, e que livres estavam da vigilância jesuítica, faziam seus torés e se deliciavam nas águas dos rios, enquanto os negros rezavam nos pejis e batucavam nos terreiros, sem nada saberem de 22. Daquela Semana. Mas isto é assunto para outra postagem. Por enquanto, veja, na abertura deste texto, a foto do quadro Costureiras, de Tarsila do Amaral.


____________
CALDAS, Dorian Gray. Artes plásticas no Rio Grande do Norte: 1920-1989. Natal: Editora Universitária/FUNPEC/SESC,1989
http://www.historiadaarte.com/prehistoriabras.html
http://www.mac.usp.br/projetos/percursos/modernistas/costureiras.html
(as fotos no alto são dos sites acima)
Veja também:
http://www.pitoresco.com.br
http://artebarroca.com.br/galeria.html
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_IC/index.cfm?
http://www.portalartes.com.br/