sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

"Retrospectiva" e "Bula +"



Saíram o 5º número da revista "Bula+", produzida pelos alunos dos cursos do Departamento de Artes/UFRN, e o 1º número da revista "Retrospectiva", de responsabilidade dos alunos do curso de Comunicação Social/UFRN. Bons exemplos de autonomia, de saída das acomodações habituais. Lembro o Nietzsche do Atrevei-vos!, grito dirigido, justamente, à juventude. Criar não é só escrever um poema ou um pintar uma tela. É tudo isso: pensar uma revista e fazê-la surgir, pôr idéias lá, e contos e fotos, falar do rio Potengi (sem nenhum romantismo também, mas lembrando ações criminosas contra esse alimentador da vida), divulgar o ferro solar (de passar roupa) inventado por alunos de uma escola estadual do RN... E tanta coisa mais...
Parece que é assim: "Deus quer, o homem sonha, a obra nasce", como disse F. Pessoa.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

"Manhã, tão bonita manhã..." no Museu Câmara Cascudo







Aberta, a partir de hoje, no Museu Câmara Cascudo, dirigido pela Profª Sônia Othon (DEART-UFRN) , a Exposição Cantos de Cascudo, com trabalhos dos componentes do GUAP-Grupo de Aquarela e Pastel, coordenado pelo Prof. Vicente Vitoriano ( DEART/UFRN), também artista plástico e participante da Expo. Os trabalhos foram inspirados em Canto de Muro, de Câmara Cascudo, um nome por demais reconhecido na pesquisa dos saberes tradicionais, aqui e alhures. O Museu como que rejuvenesce, abrindo-se a uma dinâmica de atividades que o tornarão mais familiar à comunidade.
Houve ainda uma mesa-redonda ( Cel. Fernando Hipólyto, Dr. Carlos Gomes, jornalista Vicente Serejo, Pery Lamartine e Ana Maria Cascudo, filha do pesquisador e coordenadora da mesa) sobre a ligação de Cascudo com a aviação... Sim, mais uma faceta do autor de Cinco Livros do Povo e de inúmeras outras obras.
Em "Câmara Cascudo: viajante da escrita e do pensamento nômade", a professora e ensaísta Ilza Matias de Sousa (Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem/Departamento de Letras-UFRN) diz: "Percorrer a obra de Cascudo equivale a percorrer o seu próprio trilhamento no discurso, na fala, na letra. Uma experiência que soube elevar a um nível que transcende os epítetos de folclorista, etnógrafo, historiador..."

Pois foi por esse Cascudo plural e inesquecível esta manhã tão bonita. Parabéns a todos.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Rádio DEART e outras sugestões

Demos à Chefia do Deart estas sugestões para 2008:

-Verba para publicação de livros (autorias coletivas e individuais) em editora virtual, já que a EDUFRN está sempre sobrecarregada com a demanda dos professores da instituição;
-Criação da Rádio DEART, para avisos, divulgação de eventos, chamados de urgência, música ambiente e outros;
-Instalação de câmeras nas dependências do DEART, inclusive nas salas de aula, como forma de melhorar a segurança de todos e evitar 'sumiços' de objetos.

Alguém tem mais idéia?...



segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

E a criaAtividade foi ao tronco...: micropolítica ambiental


Numa rua ali por trás do novo Bom Preço (começo da Engº Roberto Freire) há um canteiro com coqueiros. Coisa corriqueira... Mas alguém veio e pregou tampinhas de pet no tronco de alguns, formando flores. Pequenos gestos que surpreendem o olhar incauto, acostumado às placas, às fachadas... Embora seja 'doloroso' para os coqueiros (as tampinhas são fixadas com prego), a Natureza agradece... Isso é um exemplo de micropolítica ambiental...
Parei, fotografei e aí está para vocês.

"Mundinho", de Veríssimo



Ainda falando de quadrinhos (alunos de Artes Visuais)... "Mundinho" apresenta um estudante de artes que vai ao XI Enearte-2007. Enquanto a turma faz suas performances, depois de todas as discussões (na faixa, lê-se "Entre o Poético e o Explícito" e "Discutindo Reconceitos"), alguém se isola em sua barraca, mas não consegue dormir com o barulhão... Resolve então abrir o zíper da barraca e dar uma espiada... Uau!... Estão todos lá, na maior celebração, dançando, tocando, jogando, interagindo, enfim..., e o Mundinho de olho arregalado, espiando...
COMO SE FOSSE NUMA SALA DE AULA (BÁSICO, FUNDAMENTAL, 3º GRAU...)
Numa sala de aula, o/a professor/a de artes visuais poderia ajudar a deflagrar diferentes leituras:
-Mundinho não quis participar, logo é um anti-social?
-Ou ele estava cansado e preferia dormir?
-Ou não gosta mesmo desse clima festivo?
-Ou é tímido? Se é, poderei ajudá-lo?...

Importa, no caso, trabalhar a tal DIFERENÇA, de que tanto se fala...
Dessa forma, pode-se levar a turma a lidar bem com o heterogêneo comportamental e evitar as (indesejáveis) rotulações. O mundão está cheio disso...

domingo, 9 de dezembro de 2007

Arte do Cosmo




Sabem quem pintou essas coisas bonitas aí?...
Manabu Mabe é que não foi... Nem Tomie Ohtake.
Nenhum pintor abstracionista.
Isso é o que se pode chamar, literalmente, arte cósmica.
Sim, a autoria é do Cosmo.
Sem mais comentário...

Comentando o comentário do Prof. Vicente Vitoriano

vvitoriano
O Prof. Vicente Vitoriano escreveu um comentário importante sobre a citação que fiz de Chacal, na postagem abaixo desta. Certo: a arte não deve ser posta numa perspectiva puramente (ou predominatemente) salvacionista. Ou não seria bem arte, mas substituta de remédios e outras coisitas mais...
A questão, para mim, salta, entretanto, para o que Nietzsche coloca em "A origem da tragédia". Para ele, a cultura grega já vinha em declínio antes de Sócrates, e quando este aparece, a juventude é levada a uma exacerbada racionalidade: dialética, dialética, a busca da 'verdade'... É o triunfo do mito de Apolo, representante da ordem, da serenidade, da lógica, da iluminação, da justa medida (as artes plásticas de então), esquecendo-se a (irrecusável) aliança com Dioniso - a emoção, os incertos da vida, a sua 'noturnidade', os momentos de caos, os perigos, as paixões... Se a vida é tudo isso, como requerer que se viva de modo impassível, estóico?... Então é preciso cantar, dançar, escrever... Acho que foi o caso de Chacal... Quanto ao "Entre Ratos", confesso que me empolguei já de saída, e até criei uma expectativa de prática analítica social como possível interesse (inconsciente ou não) do quadrinista... Pensei nas práticas ráticas de muitos políticos brasileiros... Mas nos quadrinhos assinados por Alex Fontes há um rato comendo uma nota musical, 'roubada' a artistas que tocam guitarra... Bom demais! O grande achado do quadrinho. Meio surreal, até kafkiano... Lamento pelos ratos 'reais', que tiram para se alimentar, e ganharam a mácula de ladrões. Mas o rato do artista rouba o irroubável... Pode ser um cacoete de professora, mas, considerando que se trata de uma obra aberta, não deixo de relacionar isso com o ratismo de muitos políticos: eles roubam notas, notas-dinheiro, milhões delas, e fazendo assim roubam também notas musicais - a guitarra que o menino pobre não pode comprar...
É assim: o artista faz, diz... As relações, as leituras fazemos nós, ainda que numa semiótica de risco, como é o caso.
Que os nossos quadrinistas insistam nesse trabalho. Seja qual for a motivação, como diz o querido colega Vicente. "Porque é importante", só por isso.
Comentarei, depois, os quadrinhos de "Mundinho", de Veríssimo...

Quadrinhos dos alunos de Artes Visuais


Vi: alunos de Artes Visuais criaram o protótipo da revista de quadrinhos "Entre Ratos"... Desconfio de que se trata de uma prática analítica social, que nunca foi território exclusivo de filósofos, sociólogos e historiadores. Esses jovens (entre os quais a dedicada Cláudia Maldonado) estão querendo alguma coisa de muito sério... Lembro aqui o que disse o poeta carioca Chacal, segunda-feira passada, no Solar Bela Vista: "Comecei a escrever nos anos de 1970 para não implodir. Não foi porque cultivasse literatura em casa, meu pai era jogador de futebol. Escrevi para sobreviver àqueles anos pesados". E defendeu que se ofereça aos jovens a possibilidade de se expressarem em alguma forma de arte, pois sem isso, sem esse canal, muita coisa desagradável pode acontecer à juventude (ele coordena, há 17 anos, um projeto cultural na prefeitura do Rio de Janeiro, trabalhando com oficinas de poesia, teatro e outras). Pois bem, esses jovens de "Entre Ratos", "Mundinho" e outros estão criando sua forma de expressão... A meu ver, não se trata apenas de um ato artístico, mas de um ato de política existencial. Autopoiese, como diz Guattari. E são bem-vindos... Há ratos demais comendo -não o queijo..., mas o pão das crianças. Embora o pão esteja do preço do queijo... Quadrinhos nos ratos (des)humanos, já que eles não vão para os quadradinhos de ferro como merecem...

YERMA no Teatrinho do DEART


Dia 15 de dezembro, às 19 horas, Isa Cortez (direção) e seu grupo apresentam a peça YERMA. Vamos ver e prestigiar o esforço dessa turma valente!
"YERMA é uma peça de teatro do poeta espanhol Federico García Lorca. Foi escrita em 1934, e apresentada pela primeira vez no mesmo ano. É uma obra popular de caráter trágico, ambientada em Andaluzia, no início do século XX. Yerma é uma mulher que vive o drama de não poder conceber um filho. Busca de todas as formas engravidar e enfrenta a indiferença do marido, Juan, que não demonstra nenhum interesse em compartir da sua angústia.

Diálogo da personagem Maria com Yerma sobre a sensação de carregar um filho:

- Maria: não perguntes mais. Nunca sentiu um pássaro vivo apertado na mão?
- Yerma: já senti.
- Maria: pois é o mesmo... mas por dentro do sangue."
(http://pt.wikipedia.org/)

sábado, 8 de dezembro de 2007

Folclore e conhecimentos transversais e alguma coisa mais

Alunos de Folclore Brasileiro, disciplina sob minha responsabilidade no semestre 2007.2, fizeram bons trabalhos finais. Foi-lhes sugerido que utilizassem uma das muitas linguagens folclóricas para veicular conhecimentos transversais. Dito e feito. Coreografia tematizando a inclusão social; fantoches falando da violência; um vídeo, de excelente qualidade, lembrando as agruras da Mãe Terra ("Origami Ecológico")... Filmei, mas não fotografei, infelizmente. Fiquei feliz, entretanto, pelas pequenas produções. É minha intenção investir nessa metodologia: produzir, produzir... Arte é, já por si só, uma forma de conhecimento, e ainda pode ductilizar a dureza da ciência... Lembremos M. Lobato, que fez isso tão maravilhosamente bem, lá pelos anos 30 do século XX (Emília no País da Gramática, O Poço do Visconde, etc). Foi um precursor do que chamei, na minha tese, de pedagogia performática, por ser uma pedagogia de fronteira, em diálogo com a arte. Só nos anos de 1990 é que surgem, na Europa, livros como O Mundo de Sofia e Alice no País do Quantum (o primeiro tenta contar a história da filosofia de forma romanceada; o segundo, também recorrendo à ficção, busca explicar a física quântica para leigos). É tempo de abrir mão das identidades 'fortes': isto é arte, aquilo é ciência e ambas não se encontram... Ora, o notável Marcelo Gleiser (físico brasileiro radicado nos Estados Unidos, onde recebeu o maior prêmio concedido a cientistas jovens) escreveu A Dança do Universo, livro em que faz referência à mitologia hindu nas explicações acerca da dinâmica do Universo (Shiva teria criado o mundo dançando; movimento de criação, morte, criação...)... E está escrevendo para crianças... E há aquele livro... Ciência e Imaginário. Bom ler, principalmente quem ainda tem resistência em aceitar que ciência e arte podem se dar muito bem... Acabemos com a guetificação do conhecimento! Isso leva a outras separações. Muitas vezes perigosas... E é preciso lembrar que a arte, muitas vezes, se antecipa à ciência.
Até mais. E "não importa por onde comece: ao tema voltarei sempre", como disse um pré-socrático.

Encerramento do semestre letivo 2007.2-Deart-UFRN- 1


Cartaz da exposição dos alunos de Linguagem Visual, disciplina ministrada pelo Prof. Vicente Vitoriano. Os corredores do DEART estão repletos de (bons) trabalhos. CriAtividade...

Encerramento do semestre letivo 2007.2 no DEART -UFRN-2




Exposição dos trabalhos dos alunos de Artes Gráficas,disciplina ministrada pela Profª Gerlúzia Alves, que desenvolve pesquisa sobre os sítios rupestres do seridó do RN.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Projeto Arte na Escola- Pólo DEART-UFRN


O Arte na Escola tem programação definida para dezembro.
Abertura: 04/12 às 19h
OFICINAS: 04 a 09
Artes Visuais- Investigação Criativa- Prof. João Natal, 14 às 18 h
Fotografia: Retratamento de Imagens- Profª Zildalte Macedo, 14 às 18 h
Ritmos, Jogos e Pregões na Educação Musical- Prof. Danúbio Gomes, 18 às 21 h
Arte BR e DVDteca: Desafios da Mediação em Sala de Aula- Profª Margareth Lima, 14 às 18 h

"ENTRE O CARROSSEL E A LEI"...


No ano passado, esteve fazendo concerto na Escola de Música-UFRN um professor da Universidade de Austin. Esse professor, segundo me foi dito, é indiano e atuou como Orientador no Doutorado do Prof. Ivonildo Rego, atual Reitor da UFRN. Em que área?... Ah, Física... Maravilha... Nada de saberes estanques, mas ciência e arte, sem clivagem... Apolo e Dioniso, como defende Nietzsche.
Pois isso me anima a falar aqui do lançamento do primeiro livro de teatro que consigo publicar: ENTRE O CARROSSEL E A LEI..., edição da EDUFRN, capa de Ricardo Pinto (Deart).
Foi lançado dia 15 passado (era feriado e tudo...), durante o I Colóquio Nacional em estudos da Linguagem, no hall da Reitoria. A peça traz um estudo crítico da Profª Drª Ilza Matias (PPgEL/Dep. de Letras-UFRN) e deve ser lido com atenção , principalmente pelos que se dedicam ao teatro e/ou pretendem enveredar por essa área de estudo. Se quiser saber mais, acesse:
http://lapisvirtual.blogspot.com/
À venda na livraria do Campus Universitário-UFRN. Só Cr$20,00... Se desejar autografado ou tiver interesse pela montagem da peça, faça contato:
nivaldete@yahoo.com.br

Retornando com as postagens... CONCURSO NA UFPB

Aprovado ou não como Projeto de Extensão, repomos este blog 'no ar' ... E nesta retomada, divulgamos o concurso da UFPB para Professor Efetivo, departamentos de Artes Cênicas, Artes Visuais e Música. O edital deve sair nos próximos dias.
Busque aqui: www.ufpb.br

domingo, 16 de setembro de 2007

Vídeo sobre cultura brasileira no Projeto Arte na Escola-DEART


O interessantíssimo vídeo Cultura Brasileira, protagonizado pela sabedoria e clareza do antropólogo Darcy Ribeiro, fez tanto sucesso entre os alunos da disciplina Folclore Brasileiro (sob nossa responsabilidade neste semestre), que decidimos encaminhá-lo ao Projeto Arte na Escola-DEART, para reprodução e empréstimo aos interessados. Não é exagero dizer que esse documentário vale por todo um curso. Milagres da tecnologia! E ainda traz Chico Buarque e Tom Zé, salpicando beleza no que poderia ser apenas um bom documentário. Em tempo: foi o artista plástico Ammer que, quando nosso aluno há uns três semestres, trouxe essa pérola à sala de aula (a foto ao lado é de um quadro de sua autoria, doado ao DEART, e fica como sinal de agradecimento nosso).

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

22. Michel Mafesolli falará sobre "reencantamento do mundo na pós-modernidade". O que será esse reencantamento?...

No dia 05 de setembro próximo, às 19 horas, no auditório B do CCHLA, o (intelectual/sociólogo/professor/escritor...) francês Michel Maffesoli falará sobre O Reencantamento do Mundo na Pós-Modernidade. Vocês já devem ter lido e ouvido bastante esta expressão: "reencantamento do mundo". Ela surgiu na Campanha O REENCANTAMENTO DO MUNDO, lançada pela TRÓPIS em São Paulo às 21 h do dia 01/12/2001,com show da banda Provisório Permanente (contato tropis@tropis.org ).
E aqui vão trechos de um manifesto lançado mundialmente pela internet à meia-noite do mesmo dia, e que ajuda a compreender o espírito desse reencantamento:
"Jovens e adultos, crianças e velhos de coração vivo,
recusamos acreditar que a vida tenha que ser tão besta como nos tem sido apresentada. Um mundo em que todos têm que rosnar uns para os outros, e cumprir metas cinzentas, que ninguém sabe quem estabeleceunem a que levam."
"
Encantamento! Não, não falamos de simulacros, de sonhos enlatados disneyanos pintados em paredões sem vida, nem de telinhas fosforescentes numa vida-prisão. Falamos de consciência aguda do Momento e do Lugar. Você frente a frente com as coisas, cara a cara com a Vida. Vendo mundos em grãos de areia, e um céu numa flor do mato (William Blake)."
"
É sério: só com profissionais encantados teremos mundo onde valha a pena viver. Não só os artistas e cientistas. Para o professor, é óbvio, essa é a primeira condição. Mas não basta: o DELÍRIO RESPONSÁVEL precisa chegar ao hardcore dos que fazem este mundo: engenheiros, advogados, administradores... Até que o sonho realize cidades menos irracionais, até que os funcionários dos três setores suicidem essa violência estéril chamada burocracia, até o último juiz enxergar que condicionar Justiça a "excelências" e "meritíssimos" é opressão indigna de subsistir num mundo digno de subsistir. Até que todas as relações humanas tenham rosto humano de novo."
"
Mirantes em toda parte como investimento: afinal, sou do tamanho do que vejo, e não do tamanho da minha altura (Fernando Pessoa). A cidade está produzindo multidões sem visão – e a solução não está em “líderes sábios”, pois podemos ser um povo inteiro de sábios. Visão e maravilhamento para todos!!!"

Você pode ler todo esse importantíssimo manifesto em:
http://www.tropis.org/biblioteca/reencantamento.html

terça-feira, 7 de agosto de 2007

20."Estética da multidão": o texto de Bárbara Szaniecki

Em si, a internet é, provavelmente, o que há de mais democrático no planeta. Os blogs, por exemplo: há-os sobre tudo e até sobre (quase) nada. Há blogs de feitio 'acadêmico', co-adjutores dos processos de conhecimento. Destaco, neste momento, o Canal Contemporâneo-Blog do Canal. Nele há um vasto e estimulante texto de Bárbara Szaniecki sobre a estética visual (cartazes) e política, nestes incertos tempos. Chama a atenção o tópico "Estética da multidão", em que ela comenta um livro de sua autoria:

"Estética da multidão
Em Estética da Multidão, analisei processos que, por serem muitos, são avessos a toda forma de classificação e que, por estarem sempre em mutação, são avessos a toda forma de captura. O avesso do avesso do avesso do avesso: subversões, inversões, carnavalizações e semiofagizações propostas pelas lutas sociais globais no império contemporâneo. Mimetizando seus movimentos, transitei da teoria política às práticas estéticas experimentando, para além das aparências acadêmicas, um tateamento despretensioso dos terrenos estético e político que me permitiu evitar as certezas totalitárias de cada campo específico. Ao final do livro, baseando-me em Poder Constituinte de Negri (ou seja, a partir de um “fora” do campo constituído das Artes), abordei a subversão de um espetáculo midiático (a legitimação da guerra do Iraque pelas imagens catódicas da queda da estátua de Saddam em Bagdá) em evento multitudinário (a crítica da guerra através do irreverente tombamento de uma falsa estátua de Bush em Londres). Do ritual ao inesperado: procurei o léxico adequado para dizer o que até então era indizível ou mal-dito."

Leia o texto integral em:
http://www.canalcontemporaneo.art.br/blog/archives/2007_05.html
(foto:http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_entrevistas&Itemid=29&task=entrevista&id=6095

Barbara Szaniecki é formada em Design pela École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs, na França. Atualmente, é doutoranda no Departamento de Artes e Design da PUC-Rio.

No mesmo sítio da foto, a pesquisadora apresenta as questões que conduziram sua investigação. O que ela diz vale por uma aula sobre como pesquisar, como perceber questões, apresentá-las e por elas se guiar. Vejam:

O livro A estética da multidão de Barbara Szaniecki, recém publicado pela Editora Civilização Brasileira, usando o conceito de multidão de Antonio Negri e Michael Hardt, estuda a prática da produção de cartazes políticos. "Como o poder se representa? Quais são as fórmulas que usa em sua representação? É possível distinguir elementos que se mantém constantes ao longo da história? E a resistência ao poder usa os mesmos códigos? Usa outros? Quais? Foram essas entre outras as questões que nortearam a minha pesquisa", afirma a pesquisadora. "O meu interesse era investigar o cartaz político contemporâneo, numa concepção ampla: cartazes tradicionais mas também cartazes de internet e, sobretudo, as imagens políticas que colorem as manifestações globais, como aquelas contra a guerra do Iraque".

Pois é. Assim se faz pesquisa.

domingo, 5 de agosto de 2007

19. Parâmetros Curriculares Nacionais-PCN: junção arte/ciência

Talvez não esteja de todo compreendida a proposta avançada dos PCN... Digo assim porque ainda se percebe a desconfiança em relação à arte enquanto fazer e produção de conhecimento.
Esse fazer inclui o imaginário, daí a perplexidade, quando não o desdém. O texto que segue foi copiado de As Inovações das Artes, cujo endereço está no final da postagem.

"O que os PCN propõem para o ensino de Artes de 1ª a 4ª série?
Um dos pontos inovadores dos PCN é o rompimento da dicotomia entre arte e ciência, entre pensar e agir, entre sentimento e pensamento. O ensino de Artes visa desenvolver na criança e a sensibilidade, essenciais também para a aprendizagem das demais disciplinas. Esse desenvolvimento se dá por meio de quatro linguagens artísticas – música, dança, teatro e artes visuais. A maneira de trabalhar os conteúdos também é inovadora. Até aqui, a maioria das escola que inclui a dança em sua programação, o faz por meio de coreografias sem nenhuma espontaneidade ou criatividade. Também são comuns as aulas de balé em algumas escolas particulares, num movimento oposto ao que acontece nas ruas do Brasil, onde a dança explode naturalmente como um elemento fundamental da nossa identidade cultural. Outras mudanças são a substituição de artes plásticas por artes visuais e a a inclusão do teatro, que até então se resumia praticamente às famosas montagens de "pecinhas" de final de ano. "

Fica a pergunta: quem tem medo de criar?... Se não criamos, somos meros reprodutores. Por isso mesmo Nietzsche 'gritava': atrevei-vos! E tinha a arte como a 'grande aliciadora da vida'.

Leia mais em:
http://klickeducacao.ig.com.br/2006/conteudo/pagina/0,6313,IGP-151-664,00.h

terça-feira, 31 de julho de 2007

18. SITIOTECA: mais um neologismo necessário

Videoteca, midioteca... Os avanços da tecnologia levam, inevitavelmente, à criação de neologismos para uma 'justa' denominação desses conjuntos de meios. Pois bem: se não existia, existe a partir de agora esta expressão: sitioteca, que quer dizer, mais ou menos, uma coleção de sítios... Net-sítios, bem entendido. Os que já foram indicados neste jornal, aqui e acolá, assemelham-se a textos de papel deixados também aqui e acolá... Vão mais alguns, copiados das estantes intangíveis da internet:

Como vai a arte brasileira?
http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/e/e_texto.cfm?Revista_
ID=1&Edicao_Id=141&Artigo_ID=1796&maior=0&menor=0

Apresenta um diagnóstico da produção cultural no Brasil, elaborado por alguns artistas, estudiosos e críticos de arte.
Fazendo Arte na Escola
http://bauhaus.belasartes.br/artenaescola/
Estão disponibilizadas propostas de ensino baseada na arte, cidadania, interdisciplinaridade e seus pressupostos teóricos/práticos.
Uma máquina fotográfica de lata
http://novaescola.abril.com.br/ed/170_mar04/html/faca.htm
Ensina a transformar uma simples lata em máquina fotográfica, que poderá ser usada em atividades de interação com a comunidade. Explica os mecanismo da máquina (Física) e o passo a passo da revelação das fotos (Química).

A brincadeira e a cultura infantil
http://www.fe.usp.br/laboratorios/labrimp/cullt.htm
O texto aborda a importância dos brinquedos, brincadeiras, contos e lendas, para formar crianças criativas, críticas e aptas a tomar decisões, cabendo à escola a tarefa de disponibilizar e trabalhar a partir desse acervo.

Se quiser conhecer outros, entre direto aqui:

http://www.crmariocovas.sp.gov.br/aed_l.php?t=001

Vale a pena.

16. "Artes Plásticas no Nordeste": Ana Mae Barbosa


Flora Noturna. Antônio Bandeira (Fortaleza, 1922-Paris,1967)



O texto integra a Revista Estudos Avançados e é de 1997. Nele, Ana Mae Barbosa faz uma análise das artes plásticas no nordeste, mostrando a 'diáspora' de artistas e intelectuais nos anos da última ditadura, situação que os levou a se espalhar pelo Rio e S. Paulo, cidades, para ela, mais abertas aos literatos do que aos artistas plásticos nordestinos. Cita Cícero Dias e Antônio Bandeira, que acabaram imigrando para a Europa, e Vera Novis, crítica de arte nordestina, que a muito custo conseguiu publicar um livro sobre Antònio Dias, reconhecido como um inovador, mas excluído das divulgações publicitárias "dos críticos que ditam a moda". Um trecho do artigo:

"A obra de artistas como Carlos Oswald, Aloísio Magalhães ou Lula Cardoso Ayres vai ter que esperar por outros teimosos críticos, fora do circuito dominante, como Vera, ou virar tese de algum estudante de pós-graduação para terem os livros e/ou as retrospectivas que merecem. Espero que não demore tanto tempo como no caso de Vicente do Rego Monteiro, o mais original dos modernistas brasileiros. Tendo-se em vista que originalidade era um dos valores máximos do Modernismo, demorou muito para que sua obra atingisse um patamar além do mero reconhecimento. Isto só se deu na década de 70 porque o poder nas Artes Plásticas naquela época estava nas mãos de um homem sem preconceitos, um historiador de olhar plural, Walter Zanini, que organizou uma inesquecível retrospectiva de Rego Monteiro no MAC-USP."

Leia mais em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40141997000100013&script=sci_arttext

segunda-feira, 30 de julho de 2007

15. Jussara Queiroz, cineasta potiguar (quase) esquecida

Ontem, 29, a TV Cultura apresentou longa matéria sobre Jussara Queiroz. Nascida no interior do Rio Grande do Norte, Jussara mudou-se para o Rio de Janeiro onde, não por acaso, se tornou cineasta. Não por acaso porque, segundo depoimento da irmã, quando bem jovem, quase menina, ela 'inventou' uma maquininha de projeção: um vasilhame com água, figurinhas de chiclete e uma lanterna... Assim conseguia projetar na parede as cenas das figurinhas, o que atesta um apelo indomável pelo cinema. Segundo depoimento de vários cineastas que com ela trabalharam ou foram seus amigos, Jussara teve papel decisivo no cinema brasileiro dos anos de 1970. Anos politicamente pesados, todos sabem, e ela fez do cinema também uma linguagem de resistência.
Na matéria da TV Cultura, foi dito que, no Festival de Cinema de Natal, os filmes de Jussara foram ignorados. Mais claramente: recusados...
Ela está morando em Natal, desde que passou por um sério problema de saúde. Fica a sugestão para que alunos de Artes Visuais façam uma pesquisa sobre essa realizadora de quem nada se sabia por aqui, não fosse a TV Cultura.

sexta-feira, 27 de julho de 2007

14. Temas Transversais na Educação

Muito já se falou em 'conteúdos transversais' na educação, mas os recém-chegados aos cursos de licenciatura talvez não saibam, ao certo, do que se trata. Vai, abaixo, texto sobre o assunto, copiado da página do Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial de São Paulo:

"Os temas transversais são estabelecidos pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN's) e compreendem seis áreas: Ética, Orientação Sexual, Meio Ambiente, Saúde, Pluralidade Cultural e Trabalho e Consumo. Eles são a marca da escola da ultramodernidade e constituem uma série de valores humanos a ser desenvolvidos nas escolas (higiene, habitação, lazer, valores, atitudes, comportamentos, etc...). Urgência social, abrangência nacional, possibilidade de ensino e aprendizagem, favorecendo a compreensão da realidade e participação social foram os critérios adotados para a eleição dos Temas Tranversais."

"Os temas transversais vieram para enfrentar a compartimentabilidade do saber. Com efeito, desde 93, Marimon e outros estudiosos desses temas, apontam como solução a integração dos saberes, onde as disciplinas científicas devem se impregnar da vida cotidiana, sem renunciar às elaborações teóricas, imprescindíveis ao avanço da ciência. Esses temas permitem a incorporação de novas propostas e pesquisas de novos currículos, que hão de se tornar complexos ou globalizados, impregnando-se da problemática do mundo."
Leia mais em:

quarta-feira, 25 de julho de 2007

13. Blog de Artes Visuais: interações







Ex-aluno do antigo curso de Educação Artística da UFRN, Erinaldo Nascimento hoje é professor doutor no curso homônimo da UFPB. Já ministrou curso no DEART/UFRN, pelo Projeto Arte na Escola, e é autor de um blog sobre o ensino de artes visuais. Vale anotar e acessar:
http://ensinandoartesvisuais.blogspot.com/
Assim vamos saindo das nossas ilhas acadêmicas...

12. Jornal de Artes é acessado em Portugal

Das expressões populares, extraio uma que serve para os dias de hoje, especialmente para o trânsito net das informações: "Mundo aberto, sem porteira...". Verdade. Tanto é assim que este jornal foi acessado por um professor aposentado da Universidade de Évora, Portugal: Joaquim Quitério Correia. Ele nos parabeniza por e-mail. Resta esperar que os alunos de Artes (para quem, principalmente, este jornal foi pensado) também acessem e dêem o esperado retorno, em forma de sugestões, participações, etc.

terça-feira, 24 de julho de 2007

11. Bolsas de Estudo

"Coloque o seu futuro em boas mãos: as suas." (Anônimo)
Se você está concluindo a graduação e deseja fazer mestrado, anote o link abaixo (não é possível acessar direto daqui). Nele encontra-se um amplo quadro de indicação de bolsas. Veja, tente e... arrume a mochila! E boa sorte.
http://www.sinprorp.org.br/Estudante/estudante067.htm

quarta-feira, 11 de julho de 2007

8. Arte no Ensino Infantil: não é brincadeira




Concluída a minha participação no I Encontro Internacional de Educação Infantil e do XVI Congresso Brasileiro de Educação Infantil, realizados pela OMEP-BR/RN e Núcleo de Educação Infantil-NEI/UFRN (9 a 11 de julho de 2007), com apoio de outros órgãos, procurou-me uma professora do Ensino Infantil para dizer de sua dificuldade em trabalhar a arte, segundo a expressão usada por ela, com os seus alunos. O desabafo, se me deixou comovida pela sinceridade e vontade de acertar, me obrigou a buscar na estante o que lá havia de melhor como sugestão de leitura. E é especialmente para essa professora anônima e buscadora que deixo esta indicação: o livro Metodologia do Ensino de Arte, de Maria Heloísa Ferraz e Maria F. de Rezende e Fusari. As autoras partem de indagações como: Que práticas e reflexões podem contribuir no desenvolvimento de cursos para estudantes direcionados ao magistério em Arte junto à infância? Que proposições artísticas, estéticas e pedagógicas devem manter ou mudar, no trabalho de uma educação escolar para crianças? Como fazê-lo, sabendo-se que a principal finalidade dos cursos é a de ajudá-las a compreender, interpretar e atuar na melhoria da ambiência natural e cultural de seu país? (v. orelha do livro) Elas discutem o significado da arte na educação. Falam da história educativa em arte e se perguntam pela arte que queremos fazer. Debruçam-se sobre a questão da expressividade infantil, da percepção, da imaginação e da fantasia; do jogo simbólico, do lúdico, do desenho infantil. Dão sugestões de atividades e indicam leituras... Tudo bem. Mas a jovem professora pode não ser, exatamente, uma professora de arte. Pode ser que ela queira fazer uma aliança, digamos, entre conteúdos lógicos e o imaginário... O livro em questão destina-se a professores de arte. Como fica a questão?... A professora vai se sentir ajudada ou com mais dificuldades?... Talvez ela esteja buscando uma pedagogia que inclua a arte, que se desenvolva mediante a quebra dessa barreira entre a arte e os demais saberes. Penso que a questão da arte, aqui, é semelhante à do letramento. É recomendado que este seja praticado não só por professores de português, mas por todos os demais, já que todos os campos de conhecimento (na escola) envolvem escrita e leitura. Ora, a arte é o campo específico de saber que, privilegiadamente, considera o indivíduo na sua constituição bidimensional: ser de razão e de fantasia, e esta visão deve ser levada em conta por outras áreas de conhecimento. Talvez estejam faltando discussões em torno disso... Talvez oficinas, cursos de capacitação... Uma questão pra se pensar, pois arte no Ensino Infantil não é brincadeira..., no sentido corriqueiro da palavra. Por enquanto, ficam estas indicações:

SÍTIOS
-Arte no ensino infantil
http://novaescola.abril.com.br/ed/173_jun04/html/musica.htm -Laboratórios de Brinquedos e Materiais Pedagógicos http://www.fe.usp.br/laboratorios/lambrimp/index.html
Artigo "Propostas para a arte na educação infantil"-Sílvia Sell Duarte Pillotto
http://www.artenaescola.org.br/pesquisa_artigos-texto.php?id_m=24
Artigo "Arte é Conhecimento, é Contrução, é Expressão"-Joselaine B. Freitas
http://www.conteudoescola.com.br
LIVROS
VERDELHO, Valdeci.
Arte arteira: brinquedos, brincadeiros, brincadeiras. São Paulo: MD Comunicação, 1992
MACHADO, Mariana M. Brinquedo-sucata e a criança. São Paulo: Loyola, 1994
SANS, Paulo de T. C.
A criança e o artista: fundamentos para o ensino de artes plásticas. Campinas: Papirus, 1995

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FERRAZ, Maria Heloísa C. de T. ;FUSARI, Maria F. de Rezende. Metodologia do ensino de arte. São Paulo: Cortez,1993 (fotos de Iolanda Huzak e Adriana Rodrigues, p. 52)

sexta-feira, 6 de julho de 2007

6. "BORRACHALIOTECA"... MUNDURUKU...: a arte de estar no mundo




Um borracheiro de Belo Horizonte pensou e fez uma biblioteca no espaço da borracharia. E pôs o nome: BORRACHALIOTECA. Prometeram-lhe que, se passasse no vestibular, ganharia meia bolsa de estudos. Passou e ganhou, conforme foi dito no Globo Repórter-TV Globo, de 06.07.2007... Daniel Munduruku, índio, formou-se em filosofia, história e psicologia. É professor de mestrado em Educação em Valores Humanos. Foi educador social de rua pela Pastoral de Menor de Rua de São Paulo. Já fez conferências e participou de oficinas culturais na Europa. Escreveu Histórias de índio (Companhia das Letras), para criança, e O Banquete dos Deuses (Editora Angra,SP), para nós todos. Duas histórias humanas de altíssima beleza. Há outras, certamente. Há a do catador de papel que, nas ruas de S. Paulo, um dia catou um livro, e outro, e mais outro, e começou a pedir livros a quem pôde, e arrumou tudo na salinha de sua casa. Daí a pouco quase não tinha onde dormir com a mulher, pois os livros foram vindo e ocupando os poucos metros quadrados do casebre.

Estes são, para mim, verdadeiros e grandes transformadores da sociedade. Praticam a arte de estar no mundo. Arte porque tudo isso envolve uma atitude esplendidamente (auto)criadora, semelhante à planta que brota nas feridas de um muro abandonado -no caso, o muro da história social, política e econômica. Homens assim são autênticos criadores de um ethos de nação. São educadores, no sentido mais alto da palavra. São pontos de luz numa sociedade enlutada face a tantos que praticam a des-arte de estar no mundo. Melhor dizendo: o desastre, em que muitos políticos são exímios e perfeccionistas. Contra essa asfixia moral, há esses exemplos citados aqui. Exemplos inspiradores, que oxigenam a capacidade de sonhar. Na palavra de Munduruku (2000, p. 72):

Não escolhi ser índio, (...), mas escolhi ser professor, ou melhor, confessor dos meus sonhos. Desejo narrá-los para inspirar outras pessoas a narrarem os seus, a fim de que o aprendizado ocorra pela palavra e pelo silêncio. É assim que "dou" aula... com esperança... e com sonhos... __________
MUNDURUKU, Daniel. O banquete dos deuses: conversa sobre a origem da cultura brasileira. São Paulo: Ed. Angra, 2000




terça-feira, 3 de julho de 2007

5. Arte (visual) brasileira: breves tópicos






1. QUE HISTÓRIA É ESSA DE PRÉ-HISTÓRIA?
Se tomamos como arte os desenhos rupestres, podemos dizer que parte da história da arte brasileira se inicia aí (como acontece analogamente em outros países). Não vou, entretanto, chamar essa arte de pré-histórica. Ela é histórica, já que informa sobre a nossa ancestralidade mais longínqua. É também documento. É narrativa visual. Mas os historiadores, em geral, continuam insistindo na expressão pré-histórica, justificando-a com o argumento de que essas manifestações pertencem a um tempo em que não se conhecia a escrita... E o que é a escrita, afinal?... Ora, as letras que aqui estou teclando são desenhos. Quando escrevo meu nome, desenho representações dos sons -as letras. Então é aceitar que a arte rupestre brotou nos tempos ágrafos, ou seja, nos tempos anteriores à invenção da escrita formal, mas é histórica. E não sejamos mais cúmplices desse modo vesgo de conceber história, desenho e escrita. São disjunções desnecessárias e danosas, que só colaboram para que se pratiquem outras tantas, a partir mesmo da escola e da universidade, onde esse discurso inadequado tende a ser mais reproduzido, pois é o que aprendemos nos livros. Uma possível e perigosa conseqüência, nesse sentido, é se pensar que os analfabetos estão fora da história, pois não dominam a escrita! Milhões de indivíduos, no Brasil, seriam... pré-históricos. Isto é sério.
2.ARTE E CULTURA
Verdade é que o senso estético não é privilégio dos civilizados. Impossível supor um povo, o mais cronologicamente distante do século XXI, sem manifestações estéticas, ainda que funcionais (cestaria, cerâmicas, estatuetas, mitos, cantos, danças...) .
A humanidade que habitou, muitos milênios atrás, o território hoje chamado Brasil, também devia dançar e cantar ritualisticamente. Entrelaçam-se, pois, as noções de arte e cultura, dependendo da nossa perspectiva: se algo é ritualístico, é cultural, uma vez que supõe transmissão de geração a geração (tradição). Será visto como arte se nosso olhar escolher uma perspectiva predominatemente estética.
3. ARTE INDÍGENA
A esse didático ponto zero da história da nossa arte - inscrições rupestres, de que o nordeste é generoso mostruário, como é o caso do Rio Grande do Norte (Lajedo da Soledade, por exemplo), Paraíba, Piauí, Bahia... -, deve-se acrescentar a arte indígena: arte plumária, cantos (de iniciação, de guerra...), pinturas corporais..., embora, para eles, tudo isso tenha sobretudo, em nossa linguagem cristã, um sentido sagrado. Porém, é uma mais que justa proposta inclusiva, já que a tendência é se começar falando da arte colonial, do barroco, o que significa uma posição eurocêntrica, de encobrimento do outro, como diz Henrique Dussel.
4. ANDAMENTOS
No andamento dessa história, temos, sim, a utilização de fantoches pelos jesuítas - com o objetivo de catequizar os indígenas por via do lúdico-, e do teatro, particularmente pelo Pe. Anchieta, que escreveu autos de Natal, da Paixão, etc., em tupi e português, e poemas nas areias das praias.
Deve-se considerar também a pintura dos holandeses Albert Eckout (1610-1666 (v. quadro de mulher negra com criança, acima)) e Frans Post (1612-1680), para cá trazidos por Mauricio de Nassau.
5. A MISSÃO ARTÍSTICA
Outro dado importante é a Missão Artística Francesa, grupo de artistas franceses que veio para o Brasil com D. João VI (1816), quando este buscou, no Rio de Janeiro, refúgio para escapar da invasão napoleônica. O rei trouxe instrumentos para montar a primeira gráfica brasileira. Imprimiram-se livros e o jornal A Gazeta do Rio de Janeiro. Os artistas da Missão fundaram a Academia Imperial de Belas Artes - onde estudou o potiguar Joaquim Fabrício Gomes de Souza (1855-1900), arquiteto e poeta, tido como o pioneiro da pintura no Rio Grande do Norte (há uma rua em Natal com seu nome), conforme Caldas (1989), enquanto o paraibano Pedro Américo (Areia-PB, 1843-Florença,1905), depois de se doutorar em ciências físicas pela Universidade de Bruxelas e estudar filosofia, literatura e pintura em Paris, assumiu, aí, a cátedra de desenho.
A Missão intensifica a influência da cultura européia na colônia, seguindo um padrão neoclássico nas pinturas, esculturas, nos desenhos, colunas, arcos, frontões.
6. A INFLUÊNCIA DE RUSKIN
Em 1856, é fundado o Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro (Joaquim Béthencourt da Silva), que tinha como proposta formar uma consciência positiva em torno do trabalho manual. Rui Barbosa aderiu ao projeto, fez-se seu sócio benemérito e chegou a pronunciar, no Liceu, um discurso com o título de O Desenho e a Arte Industrial. Neste texto, citou partes de escritos do britânico John Ruskin (1819-1900), crítico de arte, crítico social, poeta e desenhista (é dele a frase: "É preciso ver como um cego veria se, de repente, pudesse ver", que vale por uma pedagogia radical e mínima em torno do processo criativo). O dado novo do Liceu é que seu método de ensino, inspirado nas idéias de Ruskin, estimulava a prática de estilos diferentes (ecletismo) como uma forma de permitir que o aluno se colocasse como um criador, saindo, portanto, da mera reprodução do paradigma clássico. Vale lembrar que essa instituição era mantida pela Sociedade de Bellas Artes, empenhada em fazer da cidade uma obra de arte a céu aberto -sonho buscado, hoje, principalmente por cidades turísticas de médio porte (observe Natal, seus dois portais, tímidos, mas dando um ar estético à cidade...).

7. SEMANA DE 22
Finalizando este roteiro, por certo incompleto e superficial (mas é o que é possível aqui: cabe a você, aluno/a, ampliar o caminho, descobrir veredas...), lembremos, enfim, a Semana de Arte Moderna- busca de brasilidade, de macunaimização de uma cultura fortemente europeizada desde 1500. Cultura das elites, diga-se, porque os índios que restaram, e que livres estavam da vigilância jesuítica, faziam seus torés e se deliciavam nas águas dos rios, enquanto os negros rezavam nos pejis e batucavam nos terreiros, sem nada saberem de 22. Daquela Semana. Mas isto é assunto para outra postagem. Por enquanto, veja, na abertura deste texto, a foto do quadro Costureiras, de Tarsila do Amaral.


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CALDAS, Dorian Gray. Artes plásticas no Rio Grande do Norte: 1920-1989. Natal: Editora Universitária/FUNPEC/SESC,1989
http://www.historiadaarte.com/prehistoriabras.html
http://www.mac.usp.br/projetos/percursos/modernistas/costureiras.html
(as fotos no alto são dos sites acima)
Veja também:
http://www.pitoresco.com.br
http://artebarroca.com.br/galeria.html
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_IC/index.cfm?
http://www.portalartes.com.br/




segunda-feira, 18 de junho de 2007

4. DE CATARSE, NOVELAS DA TV-GLOBO E CRIANÇAS


Nivaldete Ferreira

Pelo jeito, com o tempo as estátuas gregas se desgastam -perdem nariz, cabeça ou perna-, enquanto a etimologia de alguns termos criam outros braços, outras cabeças, outras pernas. É o caso da palavra
catarse (kátharsis), que originalmente significa "a 'purificação' das paixões e interesses estranhos que se realiza de modo privilegiado na contemplação estética" (GRIFFERO, p. 62). O termo foi tomado de empréstimo à medicina de Hipócrates e a práticas ritualísticas de descontaminação, vindo a ser utilizado por Platão como "purificação da alma relativamente ao corpo" (id. ibid.). Só com Aristóteles o termo ganha um emprego estético e geral de "purificação : pelas paixões, eliminadas como conteúdos nocivos, ou das paixões, preservadas de forma inócua". (id. ibid.) A tragédia seria um adequado instrumento para o processo catártico, a partir dos padecimentos do protagonista. A controvérsia que existe é quanto ao modo como se daria a catarse: na punição do que erra? Na transformação das paixões em virtude?... Na desobstrução afetiva e na libertação de afetos patogênicos (psicanálise)? Pela empatia (no século XX)? Por fim, na "fruição de si na fruição do outro" (id. ibid.), o que vai dar no mesmo?... Brecht ( 1978, p. 102) entende a catarse aristotélica não como "ablução realizada simplesmente de uma forma recreativa", mas como "uma ablução que tem por objetivo o prazer". Sim, ele a compreende desta forma mas é categórico na defesa do distanciamento, que apreende do teatro chinês: "O ator, mesmo que esteja representando uma personagem possessa, não deve agir como possesso; como poderia então o espectador descobrir de que está possuído o possesso?". Nada de retesar músculos, ele diz. Nada de se tornar um com o personagem. Isto tem uma lógica: ele viveu o drama da II Guerra, escreveu para uma sociedade massacrada, entorpecida, apática, emocionalmente enferma, pode-se dizer. Então teria de colaborar para a saída dessa hipnose e para a emergência da capacidade crítica. Logo, em vez da imersão, a empatia suave... "Uma técnica que servia para encobrir a causalidade social não pode ser utilizada para descobri-la. E já é tempo de surgir um teatro de gente interessada!" (op. cit., p. 167). Pois bem: as novelas da Globo fazem exatamente o contrário: olhos esbugalhados, suor pingando na testa, veia do pescoço prestes a romper, muita convicção nos atos de fala, uns inocentes demais, outros perversos em excesso, revólveres de verdade, matanças na rua, tudo dentro do princípio da absoluta verossimilhança... Daí que atores são xingados em lugares públicos e até ameaçados, porque as pessoas entram em profunda empatia, em imersão na trama da representação, não se distanciando devidamente para analisar o que vêem. Não se lembram de que se trata de uma representação... Mas isso dá Ibope -é o que dizem os roteiritas. Desta forma, triunfa o simulacro sobre o real, e o real -com toda a sua carga de problemas e de boas coisas também-, deixa de ser vivivdo.
Não sei se as teses de Brecht são acreditadas e praticadas hoje. O tempo é outro. Já se decretou a morte da história, a (quase) extinção do sujeito, a falência das ideologias, ou a troca delas por uma só: a ideologia do mercado, que a globalização vem exacerbando.

Resta uma pergunta: como é isso nas escolas?... E fora dela: será que as crianças acham que a pequena atriz que faz o papel da boneca Emíla, na TV, é a própria Emília, em carne e osso? Loga Emília, que nunca foi de carne e osso?...
Talvez as crianças, mais sábias, nem precisem de orientação, nesse sentido. Talvez elas saibam instintivamente que tudo... é brincadeira de faz-de-conta. Tomara... Senão, mais tarde, elas poderão sair por aí, de pau na mão, caçando atores e atrizes que, em tal novela, foram 'muito mauzinhos'...
Parece engraçado, mas é sério. Tem a ver com a constituição de sujeito.
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BRECHT, Bertolt. Estudos sobre teatro. Trad. Fiama Pais Brandão. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978
GRIFFERO, Tonino. Catarse. In CARCHIA, Gianni; D´ANGELO, Paolo. (org.) Dicionário de Estética. Trad. Abílio Queirós e J. Jacinto C. Serra. Lisboa: Ed. 70, 2003

domingo, 17 de junho de 2007

3. SEMIÓTICA DA FOTOGRAFIA: noções

Nivaldete Ferreira

A fotografia, enfim, foi reconhecida como ferramenta científica. Colaborou para isto o pesquisador Lévi-Strauss, que se utilizou dela, como também da lingüística e da psicanálise, em suas investigações antropológicas. Hoje, a fotografia vive seu boom... Nunca se fotografou tanto, até pelas facilidades que a tecnologia tem proporcionado. Mas, no universo acadêmico, é preciso um modelo de leitura da fotografia, ainda que um modelo impreciso, fazendo um oportuno trocadilho.
Pode-se operar com a noção de semiótica denotativa e conotativa. No primeiro caso, trabalha-se o signo visual em seu sentido mais evidente, que Barthes (1984, p. 45) -veja foto acima- trata como "sentido óbvio" ou analógico: reproduções da realidade, que promovem um imediato reconhecimento, não obstruem a compreensão. É o que acontece quando vemos a fotografia de uma pessoa conhecida ou de um automóvel, por exemplo. Já na semiótica conotativa busca-se o que não está presente, as referências extra-objetais, as relações com outra(s) realidade(s). O que está em obliqüidade. Como o olhar oblíquo de Capitu, talvez a personagem mais apaixonante de Machado de Assis, e por isso mesmo, por ser uma personagem oblíqüa, ambígua, impossível de ser estancada numa única leitura, tal qual o rosto da Mona Lisa, seu olhar e seu sorriso...
Mas as relações conotativas não são, necessariamente, tão enigmáticas. Vou contar uma historinha para ilustrar esses argumentos. Dia desses, saindo à rua, percebi um carroceiro parado junto ao meio-fio, acompanhado de sua mulher. Observei: ele arrumava e desarrumava uma flor vermelha bem no alto da cabeça da égua que puxava a carroça. Fotografei, sem mais nem menos. À primeira vista é só um carroceiro parado com sua carroça, ajeitando a flor na cabeça do animal enquanto a mulher espera que ele conclua a tarefa... Aqui, estamos no plano da semiótica denotativa. Nada a acrescentar... Mas, no plano da semiótica conotativa, tenho outras leituras: eu leio a economia do país aí. Leio o capitalismo, leio as estratégias de sobrevivência de um que representa muitos. Leio o trabalho informal, ameaçado por esse mesmo sistema (daqui a pouco é possível que exijam carteira de habilitação aos carroceiros...). Isso tudo remete a conotações político-econômicas. Há outra, da ordem do poético e dos precossos de humanização. O carroceiro tratava seu animal como a um ser humano querido. Esse foi o sentido absolutamente obtuso (que em Barthes faz a interface com o sentido óbvio) que extraí da cena. O obtuso é aquilo que provoca estranhamento, que nos deixa (literalmente) sem palavras... Pois já faz algum tempo, um ano talvez, e só agora me ponho a falar dessa cena... O gesto de amorosidade do carroceiro...Talvez ele nem saiba assinar o nome, mas deu uma Aula Magna de humanidade, daquelas de calar filósofo. Aula de vida, ao vivo e sem palavras. De existência plena porque não separa do homem o bicho... Porque o bicho homem apareceu ali purificado de suas pulsões destrutivas, surgiu elevado e em estado de bem-aventurança.

...

Há ainda, em Barthes, a noção de punctum (ponto), que o observador elege na fotografia. É variável de pessoa a pessoa, reação subjetiva. No caso do carroceiro, o punctum que eu elegeria talvez nem fosse a sua mão arrumando a flor vermelha na cabeça do animal. Talvez fosse o coração, se ele fosse visível.

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BARTHES, Roland. O óbvio e o obtuso. Trad. Isabel Pascoal. Lisboa: Ed. 70, 1984

quinta-feira, 14 de junho de 2007

1. ESPAÇOS EMERGENTES PARA...



O profissional de arte, no Brasil, continua SUBaproveitado pelas escolas, como o demonstra a carga horária curricular destinada ao ensino de arte. Carga horária ínfima, prevalecendo ainda aquela obsoleta idéia de que arte é 'um apêndice' ou um complemento, quando não um 'descanso' para as cabecinhas que..., bem, que estão doloridas de tanto estudar ciência... Na verdade, as escolas devem contratar professores de arte até para romper com essa velha disjunção entre raciocínio lógico e expressão artística; entre o científico e o imaginário. Quero com isso dizer que professores de arte podem também trabalhar em parceria com professores de outras áreas, ductilizando a rigidez dos conteúdos exclusivamente racionais. Esta flexibilização, diga-se, vem se tornando uma prática adotada, pelo menos, nos meios editoriais internacionais, em relação à aliança entre ciência e literatura. Dou dois exemplos nos dias de hoje:
A História de Sofia e Alice no País do Quântum, dois livros (europeus) que buscam ensinar, respectivamente, e de
forma romanceada, a história da filosofia e a física quântica para leigos... Mas não podemos esquecer: os jesuítas, bem ou mal, utilizavam-se, na terra brasilis, de fantoches para impor a cultura cristã aos índios. E Monteiro Lobato foi um precursor dessa literatura que se hibridiza com a ciência, pois fez isso, e com genialidade, nas primeiras décadas do século passado. Mais recentemente, outro brasileiro, renomado físico premiado nos EUA, onde trabalha, escreveu para crianças, falando de física: Marcelo Gleiser. Antes, escrevera uma obra para a comunidade científica: "A Dança do Universo", em que faz um aproveitamento da mitologia hindu, mais exatamente do mito de Shiva, que se diz ter criado o mundo dançando. Gleiser justifica: o universo dança, se expande e se contrai. Assim, há uma relação entre a linguagem do mito e a da ciência... Quer dizer, há mais portas e dobradiças entre esses saberes do que pode supor nossa vã compreensão disjuntiva...
Claro, há quem torça o nariz... "Isso não é arte nem literatura!", dirão alguns. Ou reclamarão o não compromisso da arte com qualquer pedagogia... Sustento que se trata da utilização de recursos artísticos nos atos de conhecimento intencional. E a arte, ela própria, também deflagra conhecimentos, mas de forma livre e imprevista, e se serve da ciência (o dançarino sabe de anatomia e sistema respiratório; o pintor usa produtos químicos; as artes cênicas se envolvem com iluminação, história, semiótica; o músico tem um apuradíssimo senso matemático... ). Por outro lado, a ciência tem sua porção ficcional, usa e abusa de metáforas e trabalha com o intuitivo (Enstein dizia que suas melhores intuições lhe chegavam quando estava fazendo a barba, não quando se descabelava no laboratório...). E praticar essa pedagogia - que chamei, em minha tese de doutorado, de pedagogia performática - não impede que o pedagogo da arte se exerça, ao mesmo tempo, como artista. Que 'esqueça', na sua prática artística, toda e qualquer pedagogia e deixe aflorar a força instintual da cri-atividade, dionisicaMente!...
Nessa compreensão, esboçada aqui de forma resumida, defendo que se institucionalize a figura do Assessor Artístico, que tanto pode atuar no espaço escolar, junto a professores de outras áreas, conforme disse no início, como em outros espaços: ONGs, hospitais, presídios, fábricas, empresas e outros. Há todo um campo de trabalho em emergência nesses espaços. Quem melhor deve ocupá-lo, senão o profissional de arte?... Não falo, é óbvio, de assessorias provisórias, improvisadas, ad hoc, que certamente nem têm respaldo legal. Falo de uma assessoria que seja reconhecida legalmente e para a qual se abram vagas em concurso público. Como se abre para o professor.
Falei. É uma idéia. Como já foi dito no editorial, tudo o que está construído no mundo foi, primeiro, uma idéia.